Em entrevista à TSF, Jerónimo de Sousa admitiu que, na votação na generalidade, pode "haver a consideração da viabilização da proposta" que depois "baixará à comissão" parlamentar, na qual o PCP poderá tentar "conseguir incluir" algumas das propostas dos comunistas.

Se poderá ser um voto a favor, questionou o jornalista Anselmo Crespo, o líder comunista afirmou que "não diria tanto", admitindo que pode ser uma abstenção.

Depois, na votação final global, os três sentidos de voto possíveis "estão em aberto" e dependem do texto final do Orçamento Suplementar que, na primeira versão, considerou ser "muito insuficiente".

É insuficiente, justificou, porque "não corresponde sequer ao que foi anunciado" pelo Governo e que "atira para mais tarde" outras medidas do orçamento, apresentado para fazer face aos efeitos económicos e sociais da pandemia de covid-19.

Jerónimo de Sousa assumiu que pretende insistir em várias propostas do partido no debate na especialidade, sem esperar por medidas posteriores do executivo, e usou um aforismo popular: "Enxoval que não vai com a noiva, tarde ou nunca aparece."

Para o futuro, Jerónimo promete que o seu partido olhará as propostas do executivo, neste orçamento como noutros diplomas, com máxima que usou durante o chamado período da "geringonça", a maioria parlamentar de esquerda que permitiu o Governo minoritário do PS: "Se esta ou aquela medida for boa para os trabalhadores e o povo, votamos a favor."

O debate do Orçamento Suplementar está agendado para quarta-feira, no parlamento, e hoje de manhã o novo ministro das Finanças, João Leão, está agendada uma reunião para explicações sobre o documento aos deputados da comissão de Orçamento e Finanças.

Olhando para o futuro, o secretário-geral comunista tomou nota das garantias do Governo de que não vai aplicar, no pós-pandemia, mas renovou o aviso de que a "austeridade é sempre um equivoco", pode, em tese, "significar rigor, mas a verdade é que significa sacrifícios dolorosos".

Na entrevista, Jerónimo de Sousa também falou também das mudanças no Governo, com a saída de Mário Centeno da pasta das Finanças e admitiu não ser contra a sua escolha para governador do Banco de Portugal (BdP).

Para o PCP, a grande questão que se coloca no debate do projeto de lei do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) sobre as condições para se ser governador do BdP é mesmo "travar" a possibilidade de banqueiros virem a ocupar o cargo.

Quanto à possibilidade de incompatibilidade de um ex-ministro, Jerónimo não considera que "seja uma questão": "Não percebo o critério de período de nojo para ex-governantes."

No entanto, o PCP poderá viabilizar alguns aspetos do projeto do PAN, nomeadamente quanto à incompatibilidade dos banqueiros e auditores.

(Notícia atualizada às 12h27)

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