"É obrigatório repensar o SIRESP, para que não se volte a repetir esta situação. Gerir uma situação de crise sem comunicações, além de muito difícil, é muito perigoso", sublinhou o presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes.

O autarca não esteve "em permanência no posto de comando", mas constatou às falhas das comunicações de telemóvel e, no posto de comando avançado, em Castanheira de Pera, notou que "havia, por vezes, algum bloqueio da rede SIRESP".

A entidade operadora do SIRESP concluiu que “não houve interrupções no funcionamento da rede” do sistema de comunicações durante o incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, mas admitiu que se registaram “situações de saturação”.

“A informação apresentada permite concluir que não houve interrupção no funcionamento da rede SIRESP, nem houve nenhuma estação base que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio”, refere o relatório de desempenho do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), publicado hoje no portal do Governo.

Fernando Lopes, no entanto, diz que “havia alturas em que falhava e que depois voltava”.

“Não foi um bloqueio permanente, mas momentâneo", disse à agência Lusa Fernando Lopes, sublinhando que, apesar disso e numa situação de um incêndio "anormal" e muito rápido, as interrupções "prejudicam".

Segundo o autarca, era necessário haver "um sistema que não falhasse", escusando-se a tecer mais declarações sobre a rede, "que o Governo tem gente mais habilitada para fazer uma análise do que está em causa".

A ‘fita do tempo' das comunicações registadas pela Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) revela falhas "quase por completo" nas primeiras horas do incêndio em Pedrógão Grande, "impedindo a ajuda às populações".

A ‘fita do tempo' "resulta do Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) da ANPC, uma espécie de ‘caixa negra' que permite registar a sequência ordenada dos principais acontecimentos e decisões operacionais.

Os registos foram disponibilizados ao primeiro-ministro no dia 23, um dia depois de a ANPC ter enviado a António Costa as primeiras explicações sobre as falhas nos incêndios.

"No primeiro documento era já deixado de forma clara que a rede SIRESP tinha falhado durante quatro dias".

O primeiro registo da ‘fita do tempo' é das 19:45 de sábado, hora em que começaram os problemas na rede de comunicações.

Segundo esta, foi nestas primeiras horas que existiram vários pedidos de ajuda de pessoas cercadas pelo fogo, a que os comandos operacionais não conseguiram dar resposta imediata, devido às falhas nas comunicações.

Na primeira comunicação registada, a Proteção Civil informa que o 112 comunicou existirem "três vítimas no interior de uma habitação", que eram da zona do Porto e que estavam numa habitação devoluta, cercadas pelo incêndio na localidade de Casalinho e que diziam não conseguir sair sozinhas, lê-se no documento.

Ao longo dos dias seguintes seguir-se-iam muitas mais falhas.

As falhas do SIRESP foram admitidas por dois comandantes operacionais da ANPC nos primeiros balanços dos incêndios.

Na segunda-feira à noite, a ministra da Administração Interna exigiu um estudo independente ao funcionamento do SIRESP.

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