“Naturalmente estamos todos interessados e há uma unidade nacional em se retirar para o futuro as lições [da tragédia]. Não é tanto um problema de apuramento de responsabilidade, é um problema do apuramento da realidade”, afirmou o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

No final de uma cerimónia em que cumpriu um minuto de silêncio em memória das vítimas do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, o Presidente da República esclareceu que esse apuramento da realidade faz parte da vida das comunidades: “faz parte da nossa vida como sociedade, todos os dias devemos aprender com o passado e o presente, retirando lições para o futuro”.

“Há mais dados agora do que havia, há mais elementos para refletir do que havia e há lições que se podem retirar indo mais longe do que, porventura, noutras circunstâncias passadas”, acrescentou.

Confrontado com declarações do presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, de que o incêndio que atingiu três concelhos foi um ato criminoso e começou antes do episódio das trovoadas secas, o Presidente da República defendeu que “tudo tem o seu tempo”.

“Há um tempo que espero que esteja a terminar, tudo indica que está a terminar, que é o do combate às chamas, há um tempo que já começou que é o da reconstrução (…), está a começar nos municípios mais atingidos, e há um tempo que também já começou, mas que também terá a sua oportunidade adequada, que é o de ir mais longe para perceber a realidade envolvente, a realidade estrutural e conjuntural, isto é, aquilo que duradouramente pode explicar o que se passou”, referiu.

Marcelo Rebelo de Sousa notou ainda que todas as pessoas estão unidas na solidariedade, na reconstrução e “no apuramento que, porventura, condicionou aquilo que aconteceu”.

“Penso que aí não há divergências”, sublinhou, considerando que essa postura é “importante para todos”

“Para o país é importante vencer este combate, reconstruir a vida destas pessoas e destas comunidades e é importante retirar lições para o futuro, também nisso estamos todos unidos”, frisou.

O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e 179 feridos, segundo o último balanço oficial.

O fogo começou em Escalos Fundeiros e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

Este incêndio já consumiu cerca de 26.000 hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.

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