"As pessoas querem um governo de união e é isso que terão hoje", disse Netanyahu, pouco antes da sessão para o voto confiança deste novo governo de coligação, marcado para o final desta tarde, no 'Knesset', o parlamento israelita.

A investidura do novo governo, que deverá por fim à mais longa crise da histórica política do país, foi adiada  de quinta-feira para hoje para que Netanyahu pudesse terminar a repartição das pastas ministeriais no seu partido, o Likud (direita).

“Está na hora" de anexar partes da Cisjordânia ocupada, disse ainda o primeiro-ministro israelita.

“Aqui está a verdade: esses territórios são onde o povo judeu nasceu e se desenvolveu. É hora de aplicar a lei israelita e escrever um novo capítulo glorioso na história do sionismo", disse Netanyahu, usando a sua linguagem usual para evocar a anexação dos colonatos judaicos na Cisjordânia.

“A verdade, e todos sabem, é que as centenas de milhares de residentes da Judeia e Samaria (termo usado pelas autoridades israelitas para falar da Cisjordânia) sempre permanecerão nas suas casas, seja qual for o acordo encontrado no final", disse Netanyahu aos parlamentares.

A anexação "não nos afastará da paz, os aproxima-nos dela", acrescentou.

Na última década, a população dos assentamentos israelenses aumentou 50% para mais de 450.000, em conflito com mais de 2,7 milhões de palestinianos.

Após 500 dias de reviravoltas, três eleições e negociações até ao último minuto, o Likud e a coligação centrista Azul e Branco assinaram um acordo de governo para três anos que nos primeiros 18 meses será dirigido por Netanyahu e depois por Gantz.

Netanyahu deverá começar a ser julgado por corrupção em três diferentes casos no final do mês e milhares de israelitas manifestaram-se contra o acordo e um governo que, segundo eles, ameaça a democracia.

Várias organizações colocaram dúvidas à legalidade do acordo e recorreram ao Supremo Tribunal, que acabou por o validar.

As pastas ministeriais também devem ser distribuídas equitativamente e cada um dos lados é livre de as atribuir a aliados, o que fizeram Benny Gantz, ao convidar uma parte da esquerda para o governo, e Benjamin Netanyahu, com as formações ultraortodoxas.

“Tudo gira à volta da atribuição dos lugares. Este governo não parece ter ideologia”, nota hoje o diário Yediot Aharonoth, sublinhando que as negociações fizeram com que não houvesse “debate de fundo” sobre as orientações do governo, o maior da história de Israel, que a prazo contará com 36 ministros.

O “governo de união e de emergência” para enfrentar a crise da pandemia do novo coronavírus pretende concentrar-se em “fortalecer a economia” e “aumentar a concorrência”.

Com cerca de nove milhões de habitantes, Israel regista oficialmente mais de 16.500 pessoas com a covid-19, das quais 264 morreram.

Este balanço, que é baixo em comparação com a situação na Europa e na América do Norte, esconde, no entanto, um salto do desemprego que passou de 3,4% antes da crise para cerca de 27%.

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