Numa entrevista à Lusa, Carlos Ramos, presidente da FPT, afirmou que, com uma Uber “legalizada” e a distribuir também serviço para os taxistas, haverá paz.

“Imagine que amanhã o Estado diz que a Uber vai ser obrigada a distribuir 20% dos serviços para táxis tradicionais e, ao mesmo tempo, ficam autorizados os táxis que queiram a descaracterizar-se para se ligarem à Uber. Creio que estamos disponíveis para fazer isso. A Alemanha tem o Táxi/Uber”, diz Carlos Ramos à agência Lusa.

Contudo, frisa que “se for para aumentar o contingente [do número de carros] já é mais difícil, porque há um excedente de táxis”.

Carlos Ramos defende ser “um crime manter-se a situação como está”. “O Governo tem de fazer alguma coisa. Se é um crime, tem de atuar. Tem de dar um ultimato à Uber”, considera.

Do lado da Uber, Rui Bento, diretor geral da empresa em Portugal, considera possível, a aplicação, distribuir serviços para táxis em Lisboa e no Porto, à semelhança do que já acontece noutras cidades estrangeiras.

“Já acontece em múltiplos países a Uber incluir os táxis na sua plataforma, como no Reino Unido e em algumas cidades dos Estados Unidos. A partir do momento em que existe uma base de entendimento e um conjunto de pressupostos que nos permitem garantir que os serviços prestados são bons para os utilizadores, não há razão nenhuma para não o fazermos. Portanto, estamos totalmente abertos para falar sobre o assunto”, disse Rui Bento à agência Lusa.

O responsável lembrou que, quando a Uber chegou a Portugal, em 2014, trabalhou e ainda trabalha com táxis de letra A e T – “táxis não caracterizados que também podem prestar serviços ligados à plataforma”.

Questionado sobre o litígio que opõe aquela plataforma ao setor do táxi, Rui Bento lembrou que “não é a primeira vez que existe este tipo de reação” e defendeu que, “mais do que uma ameaça, a tecnologia pode e deve ser uma oportunidade para o setor se modernizar e melhorar como um todo”.

Relativamente às acusações de que a Uber e os seus parceiros estão ilegais e não pagam impostos, o responsável assegurou que os operadores com quem estabelece parcerias em Portugal “são todos licenciados”.

“Todos os parceiros que se ligam à plataforma da Uber têm de ser devidamente escrutinados antes de poderem prestar serviços”, explicou, acrescentando que “têm de ter licenças em dia e têm de ter todos os seguros aplicáveis por lei”. Quanto aos motoristas, a sua documentação também é escrutinada e têm de ter o registo criminal atualizado e limpo.

A Uber, que em Portugal opera em Lisboa e no Porto, tem atualmente mais de mil motoristas ativos de parceiros e presta três serviços distintos: UberBlack (com carros topo de gama), UberX (com veículos de gama mais baixa) e UberGreen (veículos elétricos), que está numa fase experimental.

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