Em conferência de imprensa, a polícia de Hong Kong revelou que disparou gás lacrimogéneo por mil vezes e cerca de 160 balas de borracha, durante o mesmo período.

Os protestos de hoje interromperam o metropolitano da cidade e levaram ao cancelamento de mais de 200 voos, enquanto manifestantes se espalharam pelo território, bloqueando várias estradas.

A polícia de choque deteve dezenas de manifestantes antigovernamentais e usou gás lacrimogéneo no bairro de Wong Tai Sin, visando dispersar manifestantes que bloqueavam uma estrada.

As autoridades voltaram a disparar gás lacrimogéneo nas imediações da sede do governo local, onde manifestantes atiravam ovos e tijolos contra o edifício e tentavam furar as barreiras colocadas pela polícia.

A líder do executivo de Hong Kong disse que a cidade está “à beira de uma situação muito perigosa” devido aos protestos, mas o Governo está determinado em garantir a ordem pública.

No dia em que se realizou uma greve geral convocada pelo movimento pró-democracia e que está a causar grandes perturbações nos transportes, Carrie Lam sublinhou que as ações de protesto estão a atingir sobretudo a classe trabalhadora, a desafiar o princípio “um país, dois sistemas” e a prosperidade da cidade, onde se vive o caos e a violência.

Hong Kong vive há dois meses um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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