Bolsonaro tem sido responsabilizado, nas rede sociais, pelo agravamento da situação dentro dos hospitais do Estado do Amazonas, cuja capital é Manaus, e que enfrentam graves problemas de abastecimento de oxigénio para tratar pacientes com covid-19 e que já levou a diversas mortes por asfixia, segundo fontes oficiais.

Ao longo do dia de hoje, a ‘hashtag’ #ImpeachmentBolsonaroUrgente foi um dos assuntos mais comentados no Twitter, elevando a pressão para que o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, abra um processo de destituição contra o chefe de Estado.

“Mais uma prova contundente da responsabilidade do Governo Federal pelas mortes em Manaus. Bolsonaro é um genocida. Rodrigo Maia, abra o processo de ‘impeachment’! Deixe o povo saber de todos os crimes cometidos por Bolsonaro! Ele deve ir para a cadeia!”, escreveu no Twitter Ciro Gomes, ex-candidato à Presidência do Brasil.

Também Fernando Haddad e Guilherme Boulos, que enfrentaram Bolsonaro nas presidenciais de 2018 e que saíram derrotados, usaram as redes sociais para apelar à mobilização política pela abertura do processo de afastamento do Presidente.

“Pessoas morrendo asfixiadas depois de quase um ano de pandemia. Não há maior prova de incompetência. (…) É preciso abrir o placar do ‘impeachment’ com o nome de todos os deputados federais e começar a pressão dos eleitores sobre cada um deles, por todos os meios. Sem isso, o afastamento não vai acontecer”, indicou Haddad.

“Bolsonaro e Pazuello [ministro da Saúde] devem responder por cada doente sem oxigénio em Manaus (…). Pela ausência de Governo no Brasil, 60 bebés prematuros podem ficar sem oxigénio em Manaus. E tem gente discutindo ‘se é o caso’ de abrir processo de ‘impeachment'”, escreveu por sua vez Boulos.

Entre as vozes que pedem a saída de Bolsonaro do executivo está o seu ex-aliado, o deputado Alexandre Frota, que deixou um apelo ao presidente da Câmara dos Deputados: “Rodrigo, faço um apelo para você, abra o processo de ‘impeachment’ do Jair Bolsonaro, como o seu último ato e deixe o resto com a gente. Olhe para Manaus”.

Bolsonaro tem sido alvo de vários pedidos de ‘impeachment’ desde o início do seu mandato, em 2019. Até ao dia de hoje, haviam sido apresentados 61 pedidos contra o Presidente, segundo a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

De acordo com a lei brasileira, um pedido de destituição de um Presidente pode ser apresentado por organizações da sociedade civil, partidos políticos e até por cidadãos.

Para que esses pedidos avancem é necessária a aprovação do centrista Rodrigo Maia, que se prepara para deixar o cargo de presidente da Câmara dos deputados, e que chegou a dizer, no ano passado, que não via motivos suficientes para a abertura de um processo de destituição, tendo afirmando ainda, por várias vezes, que esse assunto não pode ser discutido no meio da atual pandemia da covid-19.

O caos vivido na capital do Amazonas e as cenas de correrias em hospitais, médicos desesperados e exaustos, cemitérios lotados e familiares de pacientes implorando por oxigénio ou comprando no mercado negro, causaram comoção e intensa mobilização em todo o Brasil, com o Governo a colocar à disposição aeronaves militares para transporte de pacientes e de material hospitalar.

Contudo, e apesar de Bolsonaro defender que o seu Governo fez tudo o que era possível para ajudar Manaus, várias organizações estão a preparar ações de protesto contra o atual mandatário.

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