Até terça-feira, o primeiro-ministro, António Costa, estará na capital tunisina acompanhado pelos seus ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral, numa cimeira em que serão assinados acordos bilaterais nos domínios da Proteção Civil, formação profissional e emprego, transportes, ensino superior e investigação científica.

Com os representantes do executivo português viajarão também os presidentes da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo Português), Luís Castro Henriques, e o presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos.

"A realização de mais esta reunião de alto nível é uma expressão de apoio de Portugal à transição democrática na Tunísia e um sinal claro da vontade portuguesa de aprofundar as relações com este país nos planos político, da segurança, da economia e cultura", disse à agência Lusa fonte do Governo português.

As cimeiras entre Portugal e a Tunísia realizam-se desde 2003, quando o Governo liderado por Durão Barroso assinou com este país do Magreb um tratado de amizade, boa vizinhança e cooperação, e a última, a terceira, teve lugar em 2015, em Lisboa, com Pedro Passos Coelho na liderança do executivo nacional.

Nesta quarta cimeira, as prioridades, segundo o Governo português, vão passar pelo reforço da cooperação nos domínios financeiro e económico, do ensino superior, da segurança, do turismo, do ambiente, do ordenamento do território e da formação.

"Queremos que esta cimeira forneça uma nova dinâmica no relacionamento entre os dois países. Portugal encara a Tunísia como um parceiro estratégico", salienta à agência Lusa a mesma fonte do executivo de Lisboa.

Também no plano europeu, o Governo português afirma que tem estado empenhado junto dos restantes Estados-membros no sentido de aprofundar o caráter de "excecionalidade" conferido à cooperação entre a Tunísia e a União Europeia, sobretudo na área da segurança.

Do ponto de vista institucional, a 4ª Cimeira Luso-Tunisina começa ao fim da tarde de segunda-feira com uma reunião a sós de António Costa com o primeiro-ministro da Tunísia, Youssef Chahed, na sede da Presidência do Governo, o Kasbah.

A encontro entre os chefes dos dois executivos seguir-se-á uma reunião plenária entre os membros dos dois governos, que deverá durar cerca de uma hora e finda a qual estão previstas declarações à imprensa.

Na terça-feira, o primeiro-ministro é recebido logo pela manhã pelo chefe de Estado da Tunísia, Béji Caïd Essebsi, tendo depois uma agenda de caráter económico.

Antes de regressar a Lisboa, António Costa desloca-se à sede da UTICA (União Tunisina da Indústria, Comércio e Artesanato), onde será recebido pelo ministro do Desenvolvimento, Investimento e Cooperação Internacional da Tunísia, Zied Laadhari, e pelo presidente desta entidade, Ouided Bouchamaoui.

O primeiro-ministro fará depois uma intervenção na sessão de encerramento de um seminário empresarial dedicado às relações luso-tunisinas.

Portugal quer reforçar cooperação com Tunísia no turismo, ambiente e água

O Governo português encara a 4.ª Cimeira Luso-tunisina, que começa na segunda-feira, em Tunes, como uma oportunidade para o aumento das exportações e para expansão de investimentos em setores como o turismo, o ambiente e a água.

"Nos diversos encontros bilaterais até agora realizados, os governos de Portugal e da Tunísia têm sempre manifestado interesse em transpor o excelente relacionamento político para o plano económico", declarou à agência Lusa fonte do executivo de Lisboa.

Reflexo da prioridade atribuída pelo Governo português à dimensão económica do programa de 48 horas na Tunísia está o facto de o último dos dois dias de presença do primeiro-ministro, António Costa, em Tunes, na terça-feira, ser praticamente dedicado às questões dos investimentos e da cooperação empresarial.

Antes de regressar a Lisboa, António Costa desloca-se à sede da UTICA (União Tunisina da Indústria, Comércio e Artesanato), onde fará uma intervenção na sessão de encerramento de um seminário empresarial dedicado às relações luso-tunisinas.

Segundo dados do executivo português, o comércio bilateral luso-tunisino tem vindo sempre a crescer, e registou-se um aumento de 15% no primeiro semestre deste ano, atingindo os 80 milhões de euros.

De acordo com os mesmos dados, Portugal tem 470 empresas a exportarem para o mercado tunisino, país que em 2016 foi o 30.º cliente nacional, subindo seis posições relativamente a 2015.

Em paralelo à agenda económica, o Governo de António Costa afirma também querer apostar na promoção do ensino da língua portuguesa na Tunísia - "uma língua de negócios num mundo global, da Europa à América Latina e também com forte presença em África".

Nesse sentido, logo na segunda-feira, à margem da cimeira, o primeiro-ministro estará com estudantes e professores de português no Liceu Sadiki, em Tunes, deslocação em que será acompanhado pelo ministro tunisino da Educação, Hatem Ben Salem.

Em relação à comunidade portuguesa na Tunísia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros refere que estão 171 cidadãos inscritos na embaixada de Portugal em Tunes.

A maioria dos portugueses concentra-se a residir na metrópole de Tunes (46,55%) e na área de Sousse (24,71%), estando a trabalhar em atividades profissionais ligadas ao setor têxtil (15,51%) ou sendo quadros de empresas e de organismos internacionais (11,49%).

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