Segundo o Instituto Nacional de Estatística, entre 2 de março deste ano, dia em que foram diagnosticados os primeiros casos com a doença Covid-19 em Portugal, e 15 de novembro, foram registados 82.326 óbitos em Portugal. Tal valor representa um aumento de 9.640 novos casos em relação à média, em período homólogo, dos últimos cinco anos.

No entanto, também segundo o INE, nos primeiros dois meses de 2020, em pré-pandemia, “o número de óbitos foi, em geral, inferior aos valores médios observados nos últimos cinco anos”.

Do total de óbitos, entre 2 de março e 15 de novembro, 40.842 foram de homens e 41.484 de mulheres, o que representa, respetivamente, um aumento de 4.197 e de 5.443 óbitos em relação à média no período homólogo de 2015-2019.

Nos números totais apresentados, mais de 70% dos óbitos foram de pessoas com idades iguais ou superiores a 75 anos, o que representa um aumento de 8.227 óbitos nesta categoria em relação ao período homólogo.

Também do total de óbitos registados, entre 2 de março e 15 de novembro de 2020, 49.301 ocorreram em estabelecimento hospitalar e 33.025 fora do contexto hospitalar, o que corresponde, respetivamente, a um aumento de 3.492 e 6.148 óbitos, relativamente à média de óbitos em 2015-2019.

De notar que, entre 19 de outubro e 15 de novembro registaram-se mais 1.556 óbitos do que a média. Neste período de quatro semanas foram registados 1.274 óbitos por Covid-19, representando 81,9% do acréscimo observado.

De acordo com o jornal Público, com o número de mortes a aumentar e com a natalidade a diminuir, 2020 poderá ficar na história como o ano com maior saldo natural negativo (diferença entre óbitos e nascimentos), sem contar com o ano de 1918 (em que a gripe pneumónica matou milhares de pessoas). Segundo o jornal, em outubro a diferença era já de -27.770, um recorde mesmo tendo em conta a tendência negativa que se tem vindo a verificar desde 2009.

O Público avança também que nos primeiros 10 meses de 2020 foram realizados 71.719 "testes do pezinho" - um teste de rastreio de doenças a recém-nascidos. Tal número representa uma diminuição de cerca de dois mil testes em relação ao mesmo período de 2019 e pode significar, dada a habitual aproximação entre o número destes testes e as estatísticas finais de nados vivos, uma diminuição da natalidade em 2020. Este número foi avançado ao jornal pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Maria João Valente Rosa, demógrafa e professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, explicou ao jornal Público que, para se apurar o impacto do Covid-19 nos números totais de população, haverá que aguardar ainda pelos números do saldo migratório (diferença entre entradas e saídas de estrangeiros), na medida em que no ano de 2019 os nascimentos de mães de nacionalidade estrangeira foram consideráveis. De acordo com o Pordata, em 2019, dos 86.579 nados vivos 10.683 tiveram mãe com nacionalidade estrangeira.

Para além disto, desde 2017 que o valor do saldo migratório tem vindo a crescer, com Portugal a registar mais imigrantes do que emigrantes, o que poderá compensar valores mais negativos no saldo natural. No entanto, ainda não há dados para este ano de 2020.

Segundo o Pordata, no ano passado registou-se um aumento da população, uma inversão de tendência em relação ao que passava desde 2010. Neste ano de 2020 ainda não são conhecidos os dados oficiais.

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