“Nós precisamos de um Presidente da República que use todo o peso da sua intervenção pública para valorizar o trabalho e os trabalhadores. Não precisamos de um Presidente que coloque todo o peso das suas intervenções públicas e do exercício dos seus poderes do lado contrário, da desvalorização do trabalho. E foi isso que aconteceu algumas vezes no passado”, declarou hoje o candidato a Belém apoiado pelo PCP.

João Ferreira falava à agência Lusa no final de um encontro com o ex-secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva, na zona do Campo Grande, em Lisboa.

O eurodeputado comunista sustentou a sua crítica a Marcelo Rebelo de Sousa com exemplos como “quando o Presidente da República teve intervenções que procuraram conter a necessária valorização do salário mínimo nacional”.

“Não me esqueço que há um ano o Presidente estava a dizer que 635 euros era um valor razoável para o salário mínimo nacional”, apontou o candidato, que também criticou as promulgações de Marcelo à legislação laboral “sem sequer pedir a fiscalização prévia pelo Tribunal Constitucional, que, por exemplo, deixaram mais vulneráveis os jovens à procura do primeiro emprego”.

“Daquele que jura cumprir e fazer cumprir a Constituição espera-se que seja consequente com esse juramento e que use os seus poderes para garantir que aquilo que ali está seja uma realidade na vida das pessoas, de todas as pessoas do país. Os poderes do Presidente foram usados para o contrário”, rematou.

Quanto ao encontro com Manuel Carvalho da Silva, João Ferreira agradeceu o apoio do ex-secretário-geral da CGTP-IN, acreditando que este irá “fortalecer a importância” que a sua candidatura atribui às questões laborais.

O também vereador da Câmara Municipal de Lisboa adiantou que na conversa com Carvalho da Silva foram abordadas várias “inquietações vivas” causadas pela pandemia da covid-19, que apontam para uma “progressiva desregulação das relações laborais”.

À Lusa, Manuel Carvalho da Silva considerou que a candidatura de João Ferreira é a que, à esquerda, defende de forma “fundamentada” as questões laborais, salientando que a pandemia veio trazer uma “aceleradíssima quebra” de condições no trabalho.

Sobre a reunião marcada por Marcelo Rebelo de Sousa com os partidos, no próximo dia 04 de janeiro, para discutir uma possível renovação do estado de emergência, João Ferreira disse que a sua posição contra “não se alterou” e que vê com preocupação um “prolongar indefinido de um estado de exceção”.

As próximas eleições presidenciais realizam-se no dia 24 de janeiro de 2021.

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