A casa de Rosália Ferreira, no concelho de Almada, foi hoje o palco do arranque do segundo dia de campanha oficial de Marisa Matias, que escolheu um tema que lhe é caro e ao qual se dedicou já na sua última candidatura a Belém: os cuidadores informais.

"800 mil pessoas que estavam invisíveis e silenciadas e que cuidam dos seus familiares 24 horas por dia, 365 dias por ano. Muito recentemente em Portugal nós conseguimos o estatuto do cuidador informal. É um passo gigante, importante, que não deve ser desvalorizado", disse, admitindo que "foi dos movimentos mais bonitos" a que assistiu na sua vida.

No entanto, Marisa Matias aponta o dedo ao Governo pelos atrasos neste processo.

"Eu não compreendo os atrasos nos projetos piloto, na regulamentação, na implementação porque estamos a falar de uma população que foi ainda mais afetada e desse ponto de vista, sim, houve responsabilidade do Governo", criticou.

Admitindo que alguns dos problemas nesta implementação se devam ao ano marcado pela pandemia, a eurodeputada e dirigente do BE condena as "falhas do Governo" porque "não se pode continuar a deixar para trás os cuidadores e as cuidadoras", que estão no grupo dos mais afetados pela pandemia.

"O que está aprovado é um passo gigante, para quem nunca teve nada, mas não é suficiente e, portanto, temos que continuar a trabalhar para que a lei possa consagrar não só o estatuto, mas que ele chegue a todos e tenha lá dentro todos os direitos e não apenas alguns", defendeu.

Apesar de deixar claro que o facto de o Presidente da República recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, "se ter juntado a esta causa, a dada altura do processo", ter sido "importante porque deu uma visibilidade ainda maior", Marisa Matias deixou uma farpa ao seu opositor.

"Em 2016, a seguir às presidenciais, consegui organizar, com outras pessoas, organizar o primeiro encontro de cuidadores e cuidadoras informais, foi a primeira vez que eles e elas se conheceram fisicamente, os que puderam estar. Não foi fácil porque no primeiro encontro eu recordo-me de ter convidado todos os partidos políticos e o Presidente da República recém-eleito e ter ficado sozinha com os cuidadores e cuidadoras informais", atirou.

Um dos motivos pelos quais concretamente Rosália Ferreira - que cuida da filha Liliana, com uma doença rara severa, há 40 anos - continuar "exatamente como estava no dia anterior ao estatuto" é o facto de a medida começar a "ser implementada apenas com projetos piloto, que chegam a muito pouca gente".

"A esmagadora maioria das pessoas não está abrangida. Agora o que precisamos de continuar a fazer e a lutar é para dar densidade ao estatuto, para que ele chegue mesmo a todos os cuidadores e cuidadoras e para tentar colmatar lacunas que não ficaram ainda no estatuto. As carreiras contributivas é um dos problemas que não está incluído no estatuto", disse.

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