Num decreto presidencial a que a Lusa teve acesso, Francisco Guterres Lu-Olo destaca a “inexcedível intervenção” de João de Deus Pires, missionário salesiano, na assistência à população em 1979 e 1980 e durante a ocupação indonésia.

“O padre João de Deus Pires também contribuiu significativamente para a fundação das várias escolas, em particular, nas áreas onde se encontra a missão dos Padres Salesianos, na ponta leste do país”, refere a nota, que destaca as consequências do trabalho do sacerdote.

“Hoje, os recursos humanos provenientes das escolas que o falecido sacerdote fundou estão colocados em diversos ramos de atividade dos setores público e privado”, diz o chefe de Estado.

Para o Presidente timorense, “é fundamental que o Estado faça este público reconhecimento pelo alto sentido humanista e pela extraordinária dedicação, coragem e determinação manifestadas” por João de Deus Pires.

No documento, o Presidente delega a investidura da condecoração na ministra da Educação, Juventude e Desporto, Dulce de Jesus Soares.

Numa mensagem de pesar, Francisco Guterres Lu-Olo manifestou “profunda dor” com a morte de João de Deus Pires.

“Nesta sua caminhada junto do povo timorense, o padre João de Deus foi um apoiante incondicional e determinante da luta pela libertação nacional. Foi preso e torturado pelas forças invasoras juntamente com seus irmãos timorenses. Transportou armas para a guerrilha. Ajudou a mandar clandestinamente um rádio para a guerrilha no mato, de forma a facilitar a comunicação com o exterior”, enumerou o Presidente timorense.

O padre João de Deus Pires, missionário salesiano em Timor-Leste, morreu no domingo em Díli, capital timorense, aos 91 anos de idade.

João de Deus Pires era natural de Morais, Macedo de Cavaleiros, e foi ordenado sacerdote em 1956, tendo sido enviado para Timor-Leste no ano seguinte.

“Desde esse ano até aos dias de hoje aí se manteve, desenvolvendo intensa e muito variada atividade educativa e missionária, ultrapassando dificuldades de todo o tipo e suportando grandes contrariedades durante o período da ocupação indonésia”, assinala a Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, numa nota citada na segunda-feira pela agência Ecclesia.

“Pela sua extrema dedicação, granjeou o respeito, a admiração e até a veneração do povo timorense, contribuindo de forma notável para a sua evangelização e para a consolidação da presença salesiana naquelas terras”, acrescenta o comunicado.

O sacerdote, antigo diretor do Orfanato de Santa Terezinha, em Kelikai, foi distinguido pelo Presidente português Jorge Sampaio com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, em 2004.

Em território timorense, recebeu a Medalha da Ordem Dom Martinho Lopes pelo apoio à resistência timorense e pelo contributo relevante à luta pela independência.

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