Na sua primeira visita pós-eleitoral, o Presidente francês foi hoje até à cidade de Cergy, perto a Paris, visitar um mercado junto a um bairro social. A visita não teve grande preparação, já que as redações só souberam esta manhã da deslocação improvisada do chefe de Estado, mas centenas de pessoas saíram à rua.

Após a eleição de domingo em que prometeu respostas para os franceses descontentes com a sua liderança, o Presidente prepara agora o seu próximo mandato e a prioridade é encontrar um novo primeiro-ministro que deverá conduzir a maioria do partido de Macron, República em Marcha, nas legislativas de 12 e 19 de junho.

“Vou nomear alguém que está ligado à questão social, à questão ambiental e à questão produtiva”, disse o Presidente respondendo aos jornalistas.

Entre as principais figuras apontadas para liderar o Governo até junho está a ministra do Trabalho, Elisabeth Borne, o ministro da Agricultura, Julien Denormandie, e o presidente da Assembleia Nacional, Richard Ferrand.

Ao mesmo tempo, outras figuras ressurgem para este lugar, como a antiga ministra do Presidente Nicolas Sarkozy, Nathalie Kosciusko-Morizet, ou até mesmo o antigo autarca de Paris, o socialista Bertrand Delanoë.

Caso perca a maioria na Assembleia Nacional para outro partido, Macron será obrigado a governar em ‘coabitação’ com um primeiro-ministro de outra cor política.

De forma a travar a renovação da maioria do Presidente, a oposição organiza-se agora à esquerda e à direita para constituir listas às eleições legislativas que lhes permitam enfrentar o candidato de Macron.

À esquerda, a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon aceitou encontrar-se com o Partido Socialista para negociar eventuais apoios nas eleições, com os socialistas – que obtiveram menos de 2% nas eleições presidenciais – a mostrarem-se mais abertos do que a França Insubmissa, que alcançou quase 22%.

Segundo os dois partidos, as discussões “são sérias” e “construtivas”, embora não esteja prevista uma união. Os partidos parecem ter evoluído as suas posições, depois de entre as duas voltas o secretário-geral do PS, Olivier Faure, ter “estendido a mão” à extrema-esquerda e do outro lado ter havido “uma recusa categórica” de qualquer conversação.

Também os ecologistas estão a aproximar-se da França Insubmissa, com o candidato presidencial d’Os Verdes, Yannick Jadot, a dizer mesmo que quer uma coligação com Jean-Luc Mélenchon.

A situação d’Os Verdes é atualmente precária já que ainda lhes falta arrecadar 2 milhões de euros de despesas que não vão ser reembolsadas pelo Estado por não terem conseguido mais de 5% nas urnas na primeira volta das eleições.

Já à direita, o ex-comentador político Eric Zémmour anunciou que não vai apresentar deputados nas circunscrições dos candidatos Marine Le Pen, Eric Ciotti e Nicolas Dupont-Aignan.

Tanto Le Pen como Dupont-Aignan encabeçam partidos de extrema-direita, mas Ciotti integra o partido Os Republicanos, embora represente uma fação mais à direita do partido.

Este é um gesto na tentativa de alcançar uma união de direitas, muito desejada por Eric Zémmour, mas já rejeitada por Le Pen. Com a derrota no domingo, Marine Le Pen já está também a preparar as legislativas, voltando a ser candidata na região de Pas-de-Calais.

O Conselho Constitucional, órgão que fiscaliza o cumprimento da Constituição francesa, validou nesta quarta-feira a reeleição do presidente Emmanuel Macron nas eleições presidenciais francesas de 24 de abril.

Conforme anunciado pelo presidente do Tribunal Constitucional, Laurent Fabius, o centrista Macron obteve 18.768.639 votos (58,54% do eleitorado registado), contra 13.288.686 de (41,46%) Marine Le Pen, candidata da extrema-direita.

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