Isabel Domingos, professora do Departamento de Biologia Animal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), faz um balanço positivo da primeira reunião , que terminou hoje, em Lisboa, do projeto SUDOANG, que vai monitorizar a enguia-europeia, espécie em perigo crítico de extinção.

"Teve uma grande participação e o envolvimento dos parceiros associados ao projeto como a administração central, o ICNF [Instituto de Conservação da natureza e Florestas], a DGRN [Direção geral de Recursos Naturais], as forças policiais, a GNR, a ASAE [Autoridade de Segurança Alimentar e Económica], que trabalha com a questão do tráfico ilegal de meixão", disse à agência Lusa a especialista.

Para Isabel Domingos, "este projeto pode ser determinante para uma gestão integrada da população de enguia", mas também "é uma forma de colocar as várias autoridades dos três países em contacto, fortalecendo a cooperação entre pessoas do projeto, [o que] potencia a colaboração efetiva".

O projeto europeu, liderado pelo AZTI, um centro de investigação do País Basco, integra o Minho e o Mondego numa rede de monitorização da enguia-europeia, assim como os rios Nivelle, Oria, Nalón, Ulla, Guadalquivir, Guadiaro e Ter, e a lagoa Bages-Sigean. .

A próxima tarefa é definir as metodologias de amostragem, de colheita da informação, de forma harmonizada para ser possível uma avaliação conjunta da área abrangida pelo projeto.

A população da espécie tem vindo a ser avaliada a nível no grupo de trabalho da enguia do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES na sigla em inglês) e "está fora dos limites de segurança biológica, em perigo critico e não tem vindo a recuperar nos últimos anos", explicou a investigadora.

O projeto, a desenvolver ao longo de três anos, vai compilar a informação existente sobre população da enguia, o recrutamento e a fuga de enguias prateadas e também sobre as características de habitat, a presença de obstáculos, a área disponível para este peixe colonizar nas bacias hidrográficas.

Também prevê a realização do dia da enguia nas regiões das bacias piloto, com campanhas de sensibilização.

A enguia tem sofrido pressão por causa da pesca ilegal e "se apanharmos os meixões todos que entram nas águas não há enguias a crescer e a reproduzir-se", alertou Isabel Domingos, explicando que a importância económica da enguia em Portugal não será a mesma do que em Espanha e França.

"O meixão tem um valor económico brutal que não gera nada para a economia porque é tudo ilegal", salientou.

Não existem números oficiais, mas as estimativas apontam para 10 toneladas desta espécie pescadas ilegalmente em Portugal. Do Sado para norte "pesca-se meixão ilegalmente todo o lado", apontou Isabel Domingos.

"Atendendo a que cada meixão pesa 0,30 gramas, 10 toneladas de meixão são milhões de enguias jovens que não entram nos nossos rios", alertou a cientista.

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