Depois do período de abertura da moção de censura, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, anunciou que não havia pedidos de esclarecimento ao líder do Chega, André Ventura, mas apenas ao primeiro-ministro, António Costa.

O PSD optou por não fazer qualquer pedido de esclarecimento na primeira ronda, pelo que o debate arrancou com uma pergunta do líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.

Brilhante Dias defendeu que “foi mesmo” por causa de cenários como o da atual moção de censura “que os portugueses confiaram no PS e no primeiro-ministro, António Costa, e lhe deram uma maioria absoluta”, sustentando que essa maioria “é o salvo conduto dos portugueses para uma vida política mais estável”.

“Aquilo que temos hoje é apenas um cenário onde os partidos à direita, e em particular o da extrema-direita, se apresenta como ‘challenger’ do outro partido da oposição numa disputa que nada, nada, nada tem a ver com os problemas dos portugueses, mas apenas com uma disputa interna quanto à liderança da oposição à direita”, sublinhou Brilhante Dias.

Para o deputado do PS, uma vez que o debate sobre o estado da nação está agendado para daqui a duas semanas, a 20 de julho, o parlamento não precisava de “ter, 15 dias antes, um debate sobre o estado da oposição à direita”.

“Aquilo que nos trazem hoje é um debate sobre quem lidera a direita, sobre se o doutor Montenegro é um Rio dois, ou um Rio três, se o doutor Montenegro é mais passista ou menos passista, se o doutor Montenegro é, de facto, o presidente do PPD-PSD que o deputado André Ventura desejava”, criticou.

Dirigindo-se assim diretamente à bancada social-democrata, Brilhante Dias afirmou que não percebe como é que os sociais-democratas "não votam contra” uma “moção de censura que é contra o PPD-PSD”.

“Abstêm-se numa moção de censura que é contra o PPD-PSD, não é contra o Governo!”, exclamou.

Intervindo depois de Eurico Brilhante Dias, o líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, quis enumerar o “rol de censuras” que o seu partido “tem vindo a fazer desde o início da legislatura” a este executivo.

Nesse sentido, Cotrim de Figueiredo endereçou críticas a vários governantes, como o ministro das Finanças, Fernando Medina, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, a ministra da Saúde, Marta Temido, o ministro da Educação, João Costa, ou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

“E o senhor primeiro-ministro é o mais censurável de todos, porque devia ser o primeiro responsável e não é, porque devia ter a mão no seu Governo e não tem, (…) ainda por cima assiste à impressionante degradação diária dos serviços ao público em Portugal como se não fosse nada consigo”, criticou.

O líder liberal afirmou assim que a Iniciativa Liberal é o “partido que mais vezes se opõe às propostas do Governo e do PS”, defendendo assim que, “por definição, quem mais vezes se opõe, é quem faz mais oposição”.

Numa alusão ao Chega, Cotrim de Figueiredo disse parecer ser “preciso explicar a alguns que censura é uma coisa, moção de censura é outra coisa”

“Uma moção de censura apresentada para derrubar um Governo de maioria absoluta saído de eleições há menos de seis meses, é um favor que se faz ao Governo e que se faz ao PS. É o contrário, senhores deputados, de oposição: é colaboração, é dar oportunidade ao Governo de se relegitimar e de se fortalecer”, sustentou.

O líder da Iniciativa Liberal dirigiu-se assim a António Costa para lhe perguntar “se vai aproveitar a oportunidade neste debate para agradecer ao Chega a preciosa ajuda que este lhe dá para se manter no poder”.

No seu pedido de esclarecimento, o líder do Chega, André Ventura, aludiu ao facto de o PSD não ter querido intervir nesta primeira ronda, afirmando que “estava enganado” e que o novo líder do PSD, Luís Montenegro, “não é Rui Rio versão dois, nem versão três, nem versão quatro”.

“É mesmo o caminho da desgraça da direita aqui mesmo à nossa frente”, declarou.

“Não podia deixar de fazer aquilo que o PSD não quer fazer, que é fazer oposição ao Governo, que é para isso que fomos eleitos, e foi para isso que os portugueses nos mandataram”, acrescentou.

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