Questionado pela Lusa sobre a razão de ter votado de forma diferente da bancada social-democrata - que se absteve - este relatório na Comissão de Economia e Finanças, Álvaro Almeida diz que se tratou de “um voto em consciência”.

“Basicamente considero que o dr. Mário Centeno não tem condições para exercer de forma independente as funções de governador do Banco de Portugal”, disse.

Álvaro Almeida demitiu-se no final de junho de funções de coordenador na Comissão de Saúde e de vice-coordenador na Comissão de Orçamento e Finanças, mas escusou-se na altura a explicar os motivos da sua demissão.

Questionado hoje se entende que o processo legislativo em curso deveria ter sido concluído antes da nomeação de Centeno - depois de o PSD ter votado a favor na generalidade de uma iniciativa do PAN que previa um período de nojo entre a liderança do banco central e a saída do Governo -, o deputado e ex-candidato à presidência da Câmara do Porto respondeu que “teria sido preferível”.

“Mas hoje o que estava em causa era a posição sobre a indigitação do professor Mário Centeno. Na minha opinião, ele não tem condições para exercer de forma independente estas funções, tendo em conta a existência de conflitos de interesses”, disse.

“O meu voto foi em consciência e representa apenas isso, o que a minha consciência me ditou”, referiu.

O deputado deixou também de integrar recentemente a nova equipa dirigente do Conselho Estratégico Nacional do PSD e, segundo noticiou o jornal Público, criticou no grupo de Whatsapp da bancada que as propostas do partido sobre o funcionamento da Assembleia da República tenham sido apresentadas pelo presidente Rui Rio sem que os deputados tivessem conhecimento prévio e pudessem dar contributos.

O relatório da audição de Mário Centeno no âmbito da proposta de designação para governador do Banco de Portugal foi hoje aprovado pelos deputados com voto favorável do PS e a abstenção do PSD e do PCP.

O relatório, votado hoje na Comissão de Economia e Finanças, teve os votos contra do CDS-PP, Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal, PAN e do deputado do PSD Álvaro Almeida.

Na Comissão, o deputado social-democrata Duarte Pacheco afirmou que “na opinião do PSD o relatório é fiel ao que ocorreu na audição e caberá ao Governo retirar as ilações" tendo sugerido que fosse acrescentado um segundo parágrafo nas conclusões em que apenas o grupo parlamentar do PS considera que Mário Centeno tem condições para ser nomeado governador do Banco de Portugal.

Duarte Pacheco lembrou que o seu partido se manifestou sempre contra a nomeação de Mário Centeno, precisando que o que estava a ser votado era o relatório e não a indigitação do sucessor de Carlos Costa.

No final de junho, o vice-presidente do PSD Nuno Morais Sarmento anunciou que o partido recusaria aprovar leis 'ad hominem' e colocou como condição para manter o voto favorável ao projeto do PAN na votação final global que o período de nojo fosse encurtado de cinco para dois anos e que só se aplicasse para processos futuros.

O processo legislativo acabou por ser adiado e o Governo anunciou a nomeação de Mário Centeno para suceder a Carlos Costa como governador do Banco de Portugal.

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