A acusação de Fernando Negrão surgiu escassas duas horas depois de Carlos César ter dito que acionará mecanismos para afastar da bancada socialista deputados que comprovadamente tenham comportamentos fraudulentos, como falsas presenças ou que registem moradas sem correspondência com a realidade.

“Todos nós sabemos que Carlos César tem um problema ainda não esclarecido quanto ao reembolso das viagens” para os Açores, afirmou Negrão aos jornalistas, no parlamento.

O líder da bancada social-democrata considerou ainda que se se aplicasse “o princípio por ele enunciado”, Carlos César “já não seria deputado do PS”.

E questionado sobre o facto de César ter dito que o seu aviso tinha por base apenas o caso das presenças fantasma, Negrão anotou uma curiosidade, com ironia.

“É muito curioso. Parece que só há um problema na Assembleia da República a respeito destes comportamentos irregulares, que são as questões da ‘password’. Mas há também a questão das viagens para as regiões autónomas”, recordou.

O dia parlamentar de hoje está a ficar marcado, nos corredores de São Bento, pela demissão da deputada Mercês Borges dos cargos que ocupava na bancada do PSD, horas depois de o jornal ‘online’ Observador ter noticiado que foi ela a votar pelo deputado Feliciano Barreiras Duarte, ausente no momento da votação, no Orçamento do Estado de 2019, em 30 de novembro.

Carlos César, bem como outros deputados do PS, PSD e Bloco de Esquerda eleitos pelos círculos dos Açores e da Madeira estão envolvidos numa polémica por beneficiarem nas suas deslocações de um apoio pago pela Assembleia da República em acumulação com um reembolso por serem residentes nas duas regiões autónomas.

A notícia sobre a duplicação de abonos para deslocações dos deputados eleitos pelas Regiões Autónomas foi avançada, em abril, pelo semanário Expresso e levou à renúncia do deputado do Bloco de Esquerda eleito pela Madeira Paulino Ascensão.

Em abril, Carlos César rejeitou que beneficie de duplo apoio nas suas viagens aos Açores, salientando que o atual modelo vigora há várias décadas, tendo sido também utilizado por quem assumiu altos cargos do Estado.

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