
Para o líder russo, trata-se de “planos sérios” dos Estados Unidos, disse numa conferência sobre o Ártico em Murmansk, no noroeste da Rússia, referindo-se a “projetos que têm longas raízes históricas”.
Putin afirmou que “é evidente que os Estados Unidos continuarão a promover sistematicamente os seus interesses geoestratégicos, político-militares e económicos no Ártico” e que seria um “grave erro” acreditar que as declarações do líder da Casa Branca são extravagantes.
“Nada disso”, sublinhou, ressalvando que Moscovo “nunca ameaçou ninguém no Ártico”, embora esteja a acompanhar de perto a situação na região e esteja a aumentar a sua capacidade militar na região.
Na sua intervenção, o Presidente russo apontou o aumento da “capacidade de combate das forças armadas” e a modernização das infraestruturas de defesa e indicou que o destacamento de militares para a região vai continuar a crescer.
Apesar de ter insistido que a questão da Gronelândia, um território autónomo pertencente à Dinamarca, não diz respeito a Moscovo, Putin afirmou estar “preocupado com o facto de os países da NATO considerarem cada vez mais o extremo norte como um trampolim para possíveis conflitos”.
O líder russo fez especial menção à Finlândia e à Suécia, que aderiram à NATO nos últimos anos e com as quais “até há pouco tempo não havia problemas”.
Na conferência, Vladimir Putin anunciou uma série de medidas que visam desenvolver economicamente as regiões norte da Rússia, estrategicamente importante para Moscovo, que já modernizou nos últimos anos várias bases militares abandonadas desde o período soviético.
Em particular, determinou a reabilitação das cidades da região, para garantir que a capacidade de transporte de Murmansk é triplicada, e que outros portos do Ártico são desenvolvidos.
O líder do Kremlin mencionou também a melhoria das ligações ferroviárias entre a Sibéria, os Urais e o extremo norte, bem como o desenvolvimento da extração de matérias-primas e da construção naval.
“Vamos aumentar a capacidade e a rotação dos nossos portos do norte a um ritmo mais rápido. Vamos fazê-lo com base em soluções ambientais modernas, incluindo tecnologias de manuseamento de carga automatizadas e não tripuladas”, indicou Putin.
O Presidente russo disse ainda estar aberto à colaboração com “países amigos” no Ártico e com países ocidentais “se demonstrarem interesse”.
Anteriormente, o líder do fundo soberano russo, Kirill Dmitriev, tinha admitido na mesma conferência a participação dos Estados Unidos em projetos de investimentos em terras raras na região do Ártico.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu na quarta-feira que a Gronelândia é um território essencial para a segurança internacional, justificando a sua pretensão de anexar o território autónomo da Dinamarca com razões “defensivas e ofensivas”.
Além do interesse em terras raras na Gronelândia, os Estados Unidos estão também a preparar um entendimento sobre a exploração destes recursos com a Ucrânia, país invadido pela Rússia em 2022.
As autoridades de Moscovo esperam desenvolver a Rota do Mar do Norte no Ártico, possibilitada pelo degelo na região, com vista a eventualmente competir com o Canal do Suez, aproveitando o impacto das alterações climáticas.
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