Foram mais de 10 minutos de debate para cada um e, apesar do esforço do moderador João Póvoa Marinheiro em retirar conclusões de Paulo Raimundo, foi claramente Ventura quem apresentou mais propostas do seu programa.

Quem ganhou?

Com a frase icónica: "Qual é o estudo em que se baseia para dizer isso?", e citando inclusivamente o "Estudo Estado da Corrupção em Portugal", André Ventura pareceu saber do que estava a falar no que dizia respeito às medidas que punha em cima da mesa. Já Paulo Raimundo respondia com frases vagas e acusações do tempo da troika, durante o qual André Ventura nem sequer foi deputado.

Quem perdeu?

Paulo Raimundo. Resumindo na frase de Ventura: "O PCP tem cegueira ideológica". Parece que este continua a ser um problema do PCP. Focado em ideias antigas, não se encontra com o Chega, mesmo em princípios que parecem semelhantes, como o aumento de pensões ou o combate à corrupção.

Promessas:

Corrupção:

Parece uma prioridade para ambos. Porém, para o PCP, "a única forma de combater a corrupção é atacar o centro da corrupção, que são as privatizações". Já para o Chega "há corrupção no setor público e no setor privado".

Ventura acusou então Raimundo de não saber o que é corrupção: "O PCP é contra a corrupção mas assim em geral, uma coisa genérica que ninguém sabe o que é".

Chega quer “confisco de bens” para combater a corrupção? “A nossa principal prioridade é conseguirmos reduzir em 10%-15% ao ano o que estamos a perder para a corrupção”, e, diz Ventura, “fazemos isso com uma grande reforma na área do confisco de bens”.

Pensões:

O Chega diz que estima “um aumento de despesa em seis anos de 7% face ao PIB deste ano”, explicando que em causa estão “sete a nove mil milhões neste período”, mas de forma progressiva.

Neste campo, Raimundo parte para o ataque: "Durante os tempos sombrios da Troika, André Ventura estava a aplaudir", alertando que não se pode prometer tudo agora. “É por essa razão que o Chega está obcecado em dar a mão ao PSD para dar continuidade a esse programa”. Já sobre as propostas do PCP, diz que o partido quer 70 euros já este ano para aumentar as reformas e pretende ainda repor a idade da reforma nos 65 anos, naquilo que chama "propostas concretas".

União Europeia:

Apesar de ter sido pedida uma clarificação por parte de Ventura neste tema "como se tivesse 10 anos", Raimundo recusou responder com grande clareza. Disse apenas que o país tem de deixar de estar refém das “imposições da UE”. Não satisfeito, Ventura diz que Raimundo não responde porque “está entalado”.

Questionado sobre sair do Euro, diz: "É uma fuga para a frente", acusou.

"O senhor é um mestre em criar um cenário de tempestade", acrescentou ainda.

Impostos:

Sobre impostos o PCP surpreendeu: "Não somos contra as empresas". “Porque não se fixam os preços das telecomunicações, da eletricidade?”, acrescentou Raimundo, dizendo que “solução não é taxar mais, mas aliviar a carga dos preços de produção”.

"Quando o peso dos salários são 14%, existem outros custos que podem ser aliviados", disse ainda e acrescentou que "99% das empresas são pequenas e médias empresas e não há nenhuma forma destas empresas se sustentarem se não houver mercado interno".

Numa altura em que o debate subiu de tom, Raimundo disse também que Ventura “não perdoa nem perdoará o facto de o PCP ter tido um papel decisivo e determinante para correr com o governo PSD-CDS” e atira: “Sei o jeito que lhe deu irmos a eleições antecipadas no ano passado”. "Com a ação do PCP recuperámos tudo aquilo que tinha sido roubado", disse ainda.

Depois disso, o Chega lançou a acusação do PCP não pagar impostos, a que Raimundo respondeu: "O PCP pagou em impostos em 2022 mais de 450 mil euros e na Festa do Avante pagou mais de 490 mil euros". “Somos invadidos com a questão de que o PCP não paga impostos”, diz Raimundo. E pergunta: “Quanto é que o Chega pagou de impostos em 2022?”. “Não sei”, responde Ventura.

Habitação

Na Habitação, o Chega reitera propostas já faladas em outras alturas, como ter "o Estado como parceiro ativo na aquisição da primeira habitação". Já o PCP diz que "é possível construir 50 mil habitações públicas em 4 anos com 1% do PIB".

A conversa evoluiu rapidamente para acusações mútuas sobre a venda de uma propriedade do PCP em Aveiro para apartamentos de luxo, a que Raimundo responde: "Não percebo a relevância dessa pergunta neste nosso debate". Explica ainda: "Fizemos uma permuta do espaço".

Concordam, porém, que os 12 milhões de euros de lucros por dia da banca devem ser combatidos.

Imigração

Numa das bandeiras do Chega, a imigração, Ventura repete o que já disse antes: "Praticamente todos os países da União Europeia mudaram as suas leis da imigração", e que "o que o PCP e o PS querem é que entre toda a gente".

Com a afirmação de Ventura de que "este regime é um absurdo", Raimundo responde que "a imigração é um problema, com milhares de pessoas a sair do nosso país e é isso que se passa com aqueles que vêm bater à nossa porta, e esses têm de ter direitos". Nada de grandes contrapropostas, mas acordo em maior controlo.

E acordos pós-eleitorais?

Eventuais acordos e coligações não foram um tema deste debate, nem entre os partidos envolvidos nem com partidos que não se sentaram nesta mesa. Ficou, porém, a mensagem do PCP: "Não acompanhámos nenhuma iniciativa do Chega na Assembleia da República".

Falou-se ainda de apoio do líder do Chega ao regime imposto pela troika: "Não queremos voltar a 2011", disse Raimundo, a que Ventura respondeu com o facto de não estar no poder."Quando foi o PREC [Processo Revolucionário em Curso] estava no PCP", disse Ventura, e Raimundo respondeu: "Tenha tento nas afirmações que está a fazer".

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