De acordo com os dados do 2.º Barómetro de Internamentos Sociais (BIS), divulgado pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), “a 19 de fevereiro de 2018, 960 camas, o equivalente a 6% do total das camas disponíveis, em 74% dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), eram ocupadas com internamentos inapropriados, predominantemente justificados pela falta de resposta na rede de cuidados continuados”.

A maioria dos casos, segundo o comunicado da APAH, localizam-se na região norte (43%) e Lisboa e Vale do Tejo (38%).

“Para a generalidade dos hospitais auscultados, a média de internamento inapropriado está nos 67 dias, o que corresponde a uma despesa estimada de 26,3 milhões de euros. A extrapolação deste valor para um ano dos internamentos inapropriados evidencia um impacto estimado superior a 99,7 milhões de euros para o Estado”, lê-se no comunicado.

Segundo o BIS a maioria dos internamentos sociais tem origem médica (72%) e 56% dos casos são mulheres.

“Quando às idades, 22% correspondem a pessoas entre os 18 e os 65 anos, 36% referem-se ao intervalo entre os 65 e os 80 anos e 41% dizem respeito a internamentos de utentes com mais de 80 anos, apenas 1% respeita a pessoas com idade inferior a 18 anos”, precisa o comunicado.

O internamento social corresponde a um prolongamento dos internamentos hospitalares para além do período clinicamente necessário e pode conduzir a “complicações evitáveis para o doente”, como o aumento do risco de infeções, malnutrição, depressão, entre outros, para além de representar um problema nos tempos de espera para outros internamentos, como os decorrentes de cirurgias, o congestionamento das urgências.

“O prolongamento dos internamentos e´ um problema muito complexo. Ao longo do tempo, a incapacidade das famílias e falta de respostas na comunidade têm sido apontadas como as principais razões para a inadequação do período de internamento. Geralmente, estes internamentos são caracterizados coloquialmente como sociais”, refere o documento da APAH.

A APAH, que diz representar 650 associados com funções de administração e gestão na área da saúde em Portugal, organiza hoje um congresso em Viseu, no qual apresenta os resultados finais do 2.º BIS.

Depois de o 1.º BIS, em outubro de 2017, a APAH diz ter como objetivo “a monitorização periódica deste fenómeno, de forma a dar relevo à problemática e a fomentar o desenvolvimento de ações conjuntas para minimizar o seu impacto”.

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