Rajoy, que falava na localidade galega de Pontevedra, não fez referências explícitas à Catalunha no seu discurso, mas salientou que o Governo a que preside dedicará todos os seus esforços em 2018 para “manter a estabilidade” e afastar a incerteza.

O Presidente do Governo espanhol esteve na inauguração das obras de ampliação da ponte de Rande, em Pontevedra, ao lado do presidente regional da sua Galiza natal, Alberto Núñez Feijóo, do ministro das Obras Públicas, Íñigo de la Serna, e da presidente da Mesa do Congresso dos Deputados, Ana Pastor.

Rajoy não referiu diretamente a situação na Catalunha — onde os independentistas revalidaram a maioria nas eleições autonómicas de 21 de dezembro — mas, o seu discurso encaixou na crise política que se vive na região, onde os separatistas declararam independência de forma unilateral em outubro.

O primeiro-ministro disse que não há nada melhor, para acabar o ano e dar as boas-vindas a 2018, do que participar num evento em que se inaugura a ampliação de uma ponte, uma estrutura “que une, não separa”.

Rajoy garantiu, por outro lado, que o governo vai esforçar-se para conseguir a criação de mais emprego e mais prosperidade.

“Tenham como certo que o Governo vai continuar a trabalhar ao serviço do interesse geral, pensando sempre nas pessoas, porque esta é a única forma de entender a política”, disse.

A situação política na Catalunha complicou-se ainda mais após as eleições de 21 de dezembro.

O parlamento regional catalão (conhecido apenas como “parlament”) tinha sido dissolvido no final de outubro, quando o Governo em Madrid solicitou e fez aprovar no Senado a aplicação do artigo 155.º da Constituição espanhola, que suspendeu a autonomia política da região.

A medida foi tomada porque os partidos independentistas catalães (Esquerra Republicana Catalana, a coligação Junts pel Sí e a CUP — Candidatura de Unidade Popular) aprovaram no “Parlament” uma declaração unilateral de independência, com o apoio do Governo regional (Generalitat) da altura, liderado por Carles Puigdemont.

Madrid também destituiu o Presidente da Generalitat e o restante governo regional.

Nas eleições autonómicas de 21 de dezembro os independentistas conseguiram 70 dos 135 assentos no parlamento, mas a força mais votada foi um partido constitucionalista, o Ciudadanos de Inés Arrimadas.

O Ciudadanos conseguiu 37 deputados regionais, contra os 34 da Junts per Catalunya (de Carles Puigdemont, atualmente fugido à justiça espanhola em Bruxelas) e os 32 da ERC de Oriol Junqueras (ainda na prisão por “rebelião, sedição e peculato”). A CUP obteve quatro assentos.

Assim, os independentistas somam 70 deputados, enquanto os constitucionalistas somam 65 (juntando ao Ciudadanos os 17 deputados do Partido Socialista da Catalunha, os oito do Catalunya en Comú/Podem e os três do Partido Popular catalão).

No entanto, oito dos deputados das fileiras independentistas estão presos ou em fuga, incluindo Puigdemont e Junqueras. Qualquer candidato a Presidente regional deve apresentar-se no parlamento regional o que, atualmente, constitui um problema para qualquer um destes.

Os independentistas têm duas possibilidades de assegurar a maioria: ou o estatuto judicial dos oito detidos e em fuga muda (permitindo-lhes estar no parlamento) ou terão de ceder os assentos a outros companheiros de partido. No caso de não o fazerem poderá existir a possibilidade de novas eleições.

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