O Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961, pelo Instituto Internacional do Teatro, para divulgação desta arte, como expressão de paz, segundo a organização internacional. A divulgação de uma mensagem, escrita por "uma figura de estatuto mundial", convidada por aquele instituto, marca, todos os anos, a data. A primeira Mensagem do Dia Mundial do Teatro foi escrita pelo dramaturgo francês Jean Cocteau, em 1962, e, este ano, coube ao encenador russo Anatoli Vassiliev.

O teatro "manter-se-á eterno", escreve Vassiliev, porque pode dizer "como a mentira reina e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em campos de refugiados, e como todos eles terão de voltar ao deserto, e como, dia após dia, somos forçados a nos separar dos nossos entes queridos", escreve o encenador. "O que seguramente não precisamos é do teatro do terror diário – quer seja individual ou coletivo, o que nós não precisamos é do teatro dos corpos e do sangue nas ruas e nas praças, nas capitais e nas províncias, o teatro falso das batalhas entre religiões e grupos étnicos", defende o fundador Escola de Teatro de Moscovo.

O teatro "pode dizer-nos tudo", "como os deuses habitam nos céus e como os prisioneiros definham em caves subterrâneas esquecidas, e como as paixões nos podem elevar, e como o amor nos pode abater". "Existe apenas um teatro que seguramente não é necessário para ninguém", escreve Anatoli Vassiliev, referindo-se ao "teatro das 'armadilhas' políticas", ao "fútil teatro da política".

"Para o inferno com os aparelhos e computadores! Vão simplesmente ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e nas galerias, ouçam o mundo e vejam as imagens vivas!", clama Anatoli Vassiliev. A versão portuguesa da mensagem foi divulgada pela Federação Portuguesa de Teatro, em parceria com a organização internacional.

Celebrar o teatro em Portugal

Em Portugal, hoje, Gil Vicente é recordado em Évora, no Teatro Garcia de Resende, com o espetáculo “Estes autos que ora vereis”, sobre textos do dramaturgo quinhentista.

O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, apresenta três peças do seu repertório, com entrada livre: "A Visita Escocesa", de Inês Barahona e Miguel Fragata, "Judite", de Rui Catalão, e "Três dedos abaixo do joelho", de Tiago Rodrigues.

O Nacional de São João, no Porto, estreia o “Beijo”, no Mosteiro de São Bento da Vitória, a partir de autores como Ruy Belo, Álvaro de Campos, Manuel António Pina, David Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade e Maria Teresa Horta, e representa as duas peças de Simon Stephens que tem em cartaz, “Águas Profundas" e "Terminal de Aeroporto”, na sala principal.

A Companhia de Teatro de Almada lança o livro do encenador alemão Peter Stein “A palavra e a cena”, e abre ao público o ensaio de “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett, no palco do teatro Joaquim Benite.

O Teatro da Cornucópia estreia "Os justos", de Albert Camus, na quarta-feira, dia 30, e os Artistas Unidos fazem a primeira apresentação de "Holocausto", de Charles Reznikoff, no dia seguinte.

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