Numa entrevista com Piers Morgan, do programa 'Good Morning Britain', Donald Trump reconheceu ter partilhado no Twitter, ou 'retweetado', publicações de uma líder do grupo 'Britain First' [Bretanha Primeiro] sem ter noção de quem esta era ou das causas que este grupo de extrema-direita e racista defende.

"Não sei nada sobre eles. (...) se me diz que são pessoas horríveis, racistas, então certamente pediria desculpa, se quiser que o faça", disse Trump, depois de Piers Morgan insistir que no tema e explicar que o ato foi recebido de forma muito negativa no Reino Unido.

“Talvez tenha sido um grande assunto no Reino Unido (…) mas nos Estados Unidos não foi uma grande história”, acrescentou Donald Trump frisando que partilhou as imagens porque acredita, afirmou, “na luta contra o terrorismo radical islâmico”.

O caso remonta a novembro de 2017, altura em que Trump 'retweetou' três vídeos de Jayda Fransen, uma das líderes do movimento 'Britain First', que alegadamente mostravam muçulmanos a atacar um homem de muletas, a destruir uma estátua da Virgem Maria e a empurrar um indivíduo de um edifício em Alexandria.

Todavia, o autor dos atos violentos no primeiro vídeo, que acabou por ser detido, é holandês, confirmou a embaixada dos Países Baixos nos Estados Unidos. Os outros dois vídeos remontam a 2013. O da estátua tem lugar na Síria, e outro no Egito, tendo os autores do ato sido detidos e condenados em 2015, e um deles executado.

A partilha destes vídeos por parte do Presidente dos Estados Unidos criou inclusivamente um problema diplomático, com Theresa May a criticar Trump por tê-lo feito.

Morgan explicou então a Trump que  o movimento se descreve como um partido político, mas é na realidade um grupo extremista e racista, que tem como principal alvo a comunidade muçulmana.

"Claro que eu não sabia disso. Não sei nada sobre eles hoje, a não ser coisas poucas que li. Não sei quem são, se soubesse não o teria feito", disse Trump.

À data, a partilha de Trump foi muito criticada, pois colocou em cima da mesa a possibilidade do presidente de uma das nações democráticas mais influentes do mundo apoiar movimentos radicais e racistas.

Retweets "podem causar problemas", reconheceu Trump nesta entrevista, reiterando que não deseja ter qualquer tipo de relação com estes grupos.

O movimento 'Britain First' foi fundado em 2011 por ex-membros do partido de extrema-direita 'British National Party'. O grupo captou a atenção dos media e das redes sociais com publicações controversas sobre aquilo que consideram ser a "islâmificação do Reino Unido". O Britain First que se define como “um partido político patriótico” e como “um movimento popular” organizou protestos contra a construção de mesquitas no Reino Unido. O partido esteve no centro das atenções da comunicação social britânica em 2016, na altura em que o extremista Thomas Mair assassinou a deputada trabalhista Jo Cox gritando Britain First.

Devido à polémica relacionada com os vídeos, Trump comunicou a suspensão da viajem de trabalho ao Reino Unido, que esteve programada para o próximo mês de fevereiro, em que tinha prevista a inauguração da nova embaixada de Washington em Londres. Após uma reunião com a chefe do governo britânico, quinta-feira, à margem do Fórum Económico Mundial de Davos, Trump disse que as relações entre os dois países são boas.

“Temos uma boa relação, apesar de muita gente pensar que não”, disse o presidente norte-americano à ITV. “Eu apoio-a [Theresa May]. Apoio muito do que ela faz e muito do que ela diz, assim como os defendo [aos britânicos] militarmente. Iremos em vossa defesa se acontecer alguma coisa, que espero nunca aconteça. Eu apoio muito o Reino Unido”, afirmou.

De acordo com fontes oficiais britânicas, Trump pode vir a concretizar a primeira visita oficial ao Reino Unido no segundo semestre de 2018.

Trump defende "América Primeiro" em Davos

O Presidente dos Estados Unidos discursa hoje no Fórum Económico de Davos, num dos momentos mais aguardado pelos presentes no encontro e pelos media. Trump irá defender a estratégia "América Primeiro", ou seja,  “contar ao mundo o quanto a América é formidável e como está bem”, no caminho para “ganhar de novo”, como escreveu no Twitter, antes de viajar para a Suíça.

A participação de Trump no Fórum Económico de Davos não deixou de causar surpresa, porque a candidatura à Presidência dos Estados Unidos foi pautada por um discurso contra a globalização e o comércio internacional. O evento na estância turística alpina defende a livre circulação de bens e serviços e a desregulação, o oposto do imprevisível Presidente dos Estados Unidos.

O segundo Presidente norte-americano no Fórum Económico Mundial – Bill Clinton foi o primeiro, em 2000 – abordará a estratégia protecionista da Administração dos Estados Unidos perante cerca de 3.000 empresários e destacados dirigentes políticos e espera-se mesmo que possa aflorar questões sensíveis na geopolítica.

É expectável que Trump fale também do crescimento da economia dos Estados Unidos e lembre a recente introdução da reforma fiscal norte-americana, a qual permite a redução das taxas fiscais das empresas.

No mesmo auditório em que Trump discursa hoje, o Presidente da França, Emmanuel Macron, alertou os “esquecidos” para a globalização e a chanceler alemã, Angela Merkel, atacou os protecionismos, pedindo mais cooperação global.

Após a chegada a Davos, na quinta-feira, Donald Trump prometeu que a participação no Fórum Económico Mundial, no centro de congressos da estação de esqui, “serão dois dias emocionantes”.

“É excitante estar aqui. Os Estados Unidos estão muito bem!”, afirmou o Presidente norte-americano, que expressou o desejo de “ver um dólar forte”, apesar de Washington ter já assumido que “não está preocupado” com a cotação da moeda.

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