Num jantar-comício em Oeiras, Rui Rio afirmou que o primeiro-ministro e secretário-geral do PS procurou nos últimos dias demarcar-se do PCP e do BE, com os quais conta para a “geringonça” a nível nacional, numa “encenação eleitoral” que comparou à “roda dos enjeitados”.

Rui Rio defendeu que, para a prossecução do “projeto europeu” e para uma Europa de paz, é preciso “votar em partidos moderados” e que o PSD “é de longe o partido mais moderado que temos em Portugal”.

Na quarta-feira, o secretário-geral do PS afirmou que PCP e o Bloco de Esquerda afastaram-se do voto de protesto em Portugal, mas não o fizeram na Europa, considerando este tipo de posicionamento inútil para a resolução de problemas.

“Faz-me lembrar uma figura que havia no seculo XIX que era a roda dos enjeitados, onde as mães punham os recém-nascidos filhos bastardos para entregar à caridade”, disse Rui Rio.

Só que, acrescentou, a “geringonça não é recém-nascido nem é bastardo, tem pai e mãe e tem um trabalho que nós conhecemos e que é avaliado pela negativa”, declarou Rui Rio.

O presidente do PSD frisou que os sociais-democratas “não pactuam” com a extrema-direita nem com a extrema-esquerda que “fazem perigar o projeto europeu”, mas o PS, “quando lhe dá jeito, alinha seguramente”.

“É o PS a tentar conquistar os votos dos moderados, dando a entender que não quer nada com o PCP e o BE, mas depois nas legislativas, se disso precisarem, todos temos a certeza que deitam a zanga ao caixote do lixo e vão lá à roda dos enjeitados buscar outra vez a 'geringonça' para garantir o poder, mesmo que não ganhem as eleições”, disse, aplaudido pelos militantes.

“É bom que não tentem enganar as pessoas, até porque há dois dias ouvimos o ministro Pedro Nuno Santos num comício do PS, que mais parecia que estava num comício do Bloco de Esquerda, por aquilo que lá disse e pela pouca gente que tinha à sua frente”, afirmou.

Para além de reforçar que o PSD é o “partido mais moderado”, Rui Rio deu ainda outro argumento, afirmando que o Partido Popular Europeu (PPE), família política na qual se integra o PSD, “tem uma capacidade de influência superior” à do Partido Socialista Europeu (PSE).

Rui Rio deixou um forte apelo contra a abstenção, afirmando que a vida dos portugueses é cada vez mais condicionada pelo que a Europa decide, e que é “preciso contrariar a abstenção que em eleições europeias é demasiado elevada”.

Numa outra parte do seu discurso, Rui Rio criticou as políticas do Governo, afirmando que a carga fiscal “nunca foi tão elevada” e que o investimento público nunca esteve tão baixo “nem nos tempos da 'troika'”.

“O PS é forte com os fracos e fraco com os fortes”, acusou Rui Rio, atacando em particular o “caos administrativo” na Segurança Social, que “não é capaz” de assegurar que quem se reforma recebe a pensão, sem ter que esperar meses por esse direito.

O jantar-comício foi reservado para mil lugares sentados, mas, ao contrário do que tem sido habitual, havia várias mesas vazias à hora em que Rui Rio e Rangel chegaram à Escola Náutica.

No início do seu discurso, Rui Rio agradeceu a presença da ex-líder Manuela Ferreira Leite e lembrou que outros ex-líderes como Pedro Passos Coelho e Luís Filipe Menezes já estiveram em iniciativas da campanha.

“Nós não escondemos os nossos anteriores líderes, nós temos orgulho e em mostrar a nossa história. Não há ninguém nesta sala que esteja de acordo com tudo o que o PSD fez ao longo dos 45 anos, mas temos orgulho na nossa história. Enquanto os nossos adversários, se pudessem, apagavam uma parte da sua história”, ironizou.

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