Questionado pelos jornalistas sobre se considera positiva a detenção do empresário, Rui Rio referiu que, “obviamente, Joe Berardo pode ter responsabilidades e terá, a justiça dirá, mas é preciso ver quem é que permitiu que as coisas assim evoluíssem”.

“Quando um banco empresta dinheiro a alguém para esse alguém comprar ações do próprio banco, e penso que não é preciso ter grande formação em gestão para se perceber que isso é um absurdo completo, enfim, seja quem for não consegue o empréstimo se ele não for autorizado”, sustentou o presidente social-democrata, à margem do lançamento do livro “Portugal – Liberdade e Esperança”, do economista e também social-democrata Joaquim Miranda Sarmento, em Lisboa.

Apesar de considerar que “é muito difícil” comentar processos específicos, Rui Rio disse ser positivo a Justiça “estar em cima” deste assunto.

“Se a Justiça está atuante, eu que tanto critico de ela não ser atuante, agora tenho de dizer 'ainda bem que está atuante'”, disse.

O processo sobre crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada e branqueamento que levou à detenção do empresário Joe Berardo conta com 11 arguidos, dos quais seis são empresas e cinco individuais.

Fonte ligada ao processo disse à Lusa que, dos cinco arguidos individuais apenas dois estão detidos, Joe Berardo e o seu advogado, André Luíz Gomes, ambos presentes hoje ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).

Vários órgãos de comunicação social avançaram desde terça-feira que um dos arguidos é o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos Carlos Santos Ferreira, informação não confirmada oficialmente.

O caso foi tornado público depois de uma operação em que foram feitas cerca de meia centena de buscas, 20 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três a estabelecimentos bancários e uma a escritório de advogado, tendo ainda sido emitidos dois mandados de detenção, visando o empresário e o seu advogado de negócios e de longa data André Luíz Gomes.

Segundo comunicados da PJ e do DCIAP, nesta investigação, que decorre no âmbito do denominado processo Caixa Geral de Depósitos (CGD), existem suspeitas da prática de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento e, eventualmente, crimes cometidos no exercício de funções públicas.

A PJ esclareceu que se trata de um grupo "que entre 2006 e 2009 contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros" e que terá causado "um prejuízo de quase mil milhões de euros" à CGD, ao Novo Banco e ao BCP.

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