"Estou orgulhoso de ver como Londres elegeu hoje a esperança sobre o medo, a unidade sobre a divisão", declarou Sadiq Khan após o anúncio dos resultados, na City Hall, a câmara municipal da capital inglesa. "O medo não nos dá mais segurança e torna-nos mais fracos", acrescentou. Khan foi duramente atacado durante a campanha pelo campo conservador, incluindo o primeiro-ministro, David Cameron, que o acusaram inclusive perante o Parlamento de vínculos com os extremistas islamitas, acusação que sempre negou.

O facto é que esta estratégia mostrou não ter resultados práticos. "Demonstrava uma absoluta falta de compreensão da mistura de religiões que existe em Londres", considerou Andrew Boff, um responsável conservador, que criticou esta "campanha chocante". O "histórico" Khan, deputado de Tooting, um bairro popular do sul de Londres, sucede ao excêntrico conservador Boris Johnson, que se acredita ter como meta chegar a Downing Street.

Ex-ministro, ex-advogado e pai de duas meninas, Khan prometeu responder aos problemas mais graves da capital, cuja população aumentou em 900.000 habitantes em oito anos, totalizando hoje 8,6 milhões, pouco menos que o total de habitantes em todo o território português (cerca de 10 milhões). Entre os principais problemas figuram as rendas inacessíveis, os transportes saturados e a poluição.

Ao jurar o cargo neste sábado na catedral de Southwark, perto da ponte de Londres, Khan prometeu representar "todas as comunidades" e "permitir que todos os londrinos possam beneficiar das oportunidades que a nossa cidade me ofereceu". A sua eleição, segundo o especialista Tony Travers, da London School of Economics (LSE), é um "sinal notável do cosmopolitismo" de Londres, "cidade mundial" onde 30% da população não é branca.

A vitória histórica de Sadiq Khan "ilustra a face tolerante de Londres", afirma o Financial Times. "Londres elegeu um mayor muçulmano, o que é uma vitória notável sobre as tensões raciais e religiosas que afundam na instabilidade as demais capitais europeias", destaca. Em Tooting, o anúncio de sua vitória provocou reações entusiasmadas. Num dos restaurantes favoritos de Khan, o Lahore Karahi, no mesmo bairro de Tooting, a alegria era evidente. "Estamos tão felizes e orgulhosos", disse à AFP Malik Ahmed, um trabalhador, para quem Khan "é um homem muito bom e ajudou muita gente". "Se você tem um problema só precisa enviar-lhe um e-mail", acrescentou.

No exterior, a notícia de sua eleição ocupava a primeira página dos jornais paquistaneses. Vários responsáveis de grandes cidades felicitaram Khan, e expressaram o desejo de trabalhar com ele.

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