A apoiar a luta destas famílias do prédio n.º 25 da rua dos Lagares, no bairro lisboeta da Mouraria, estiveram os candidatos da CDU, João Ferreira, e do BE, Ricardo Robles, à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, bem como a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta.

Apesar de não ter conseguido estar presente na iniciativa, a vereadora da Habitação da Câmara de Lisboa, Paula Marques, disse à Lusa que está “solidária com os moradores”, assegurando que a autarquia “não vira as costas aos moradores”.

“Estamos atentos e ativos no que toca à situação das famílias da rua dos Lagares e de outras semelhantes”, declarou a autarca Paula Marques, considerando que “o que se passa com estas famílias é o resultado da lei do arrendamento urbano, responsabilidade do anterior Governo PSD/CDS”.

Empenhada em encontrar uma solução para o problema dos moradores, a vereadora da Habitação da Câmara de Lisboa vai reunir com as famílias deste prédio da Mouraria, no dia 19 de junho, às 17:00.

Em causa estão “16 famílias, 40 pessoas, onde se incluem crianças e pessoas idosas” que vivem neste prédio da Mouraria e que estão todas em processo de despejo, depois do imóvel ter sido vendido a um investidor que pretende abrir um espaço de alojamento local, avançou à Lusa Carla Pinheiro, uma das moradoras afetadas, reforçando que vai “continuar a lutar até ao fim” para ficar no bairro.

Aproveitando a noite de Santo António, os moradores fizeram quadras populares para sensibilizar a comunidade para a situação: "Temos o destino marcado / Temos ordem de despejo / Queremos ficar no bairro / É esse o nosso desejo", "Gostava de dizer ao senhor Medina / Que tanto gosta de passear / Faça mas é um esforço / E arranje-nos um sítio para morar", "Santo António milagreiro / Santo António do meu bairro / Faça com que a Câmara / Nos dê uma casinha no bairro", "Santo António meu santinho / Que estás no teu altar / Sabes bem que nós vizinhos / Não vamos parar de lutar".

Em declarações à agência Lusa, o candidato da CDU à presidência da Câmara de Lisboa, João Ferreira, considerou que o problema destas famílias é resultado da lei das rendas do anterior Governo que “expulsou milhares de famílias lisboetas das suas casas”, defendendo que “essa lei tem que ser alterada”.

A lei “já foi em parte alterada, o prejuízo já foi minimizado, mas é necessário mais do que isso”, advogou João Ferreira.

O candidato da CDU à presidência da Câmara de Lisboa criticou ainda as opções do atual executivo camarário no domínio do turismo e do licenciamento urbanístico, referindo que a autarquia “tem aberto caminho a que milhares de moradores sejam expulsos da cidade, em particular de zonas centrais e históricas”.

Já o candidato do BE à presidência da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles, disse à Lusa que “a pressão urbanística e a pressão das rendas estão a empurrar os moradores para fora da cidade”, referindo que já confrontou o atual presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, para a necessidade de intervir nestes casos.

“A Câmara Municipal de Lisboa podia, por um lado, exercer o direito de preferência quando foi a compra do edifício, não o fez, não o tendo feito é preciso que haja uma solução de habitação para estas pessoas nesta zona”, defendeu Ricardo Robles, indicando que a autarquia tem “103 habitações na freguesia de Santa Maria Maior”, pelo que “é possível realojar estas pessoas em casas da Câmara nesta zona da cidade”.

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