A temática do simpósio - “Fátima, hoje: pensar a santidade” - foi perspetivada no âmbito do centenário da morte da santa Jacinta Marto, assinalado no ano passado, mas a covid-19 obrigou a adiar a iniciativa para este ano.

O santuário propõe uma reflexão "sobre aquela que é a identidade e o desejo de uma comunidade cristã, a santidade, e que constitui a sua principal marca ao longo de mais de dois mil anos".

"O contexto de pandemia que o país e o mundo atravessam dita um 'hoje' – tempo favorável no léxico cristão – que é uma oportunidade para refletir sobre as circunstâncias da própria humanidade", considera.

No entender do presidente da comissão científica e organizadora do simpósio, Marco Daniel Duarte, "em Fátima faz sentido, hoje, pensar a santidade: pela experiência que o acontecimento e a história da Cova da Iria propõem à humanidade que, século XX fora, olha para si própria na complexa teia do que é ser humanidade".

"Também Fátima ajudou e continua a ajudar a ler e a viver a santidade que já não é consagrada a uma ‘beata stirps’, mas nessa estirpe inclui ‘os santos de ao pé da porta’", acrescenta.

O cardeal Luis Tagle, Crispino Valenziano (do Pontificio Colégio de Santo Anselmo), Jerónimo Trigo e Teresa Messias (da Universidade Católica), José Ornelas Carvalho (presidente da Conferência Episcopal Portuguesa) e Fabien Revol (da Universidade Católica de Lyon) são alguns dos convidados para este simpósio.

Para Marco Daniel Duarte, "os simpósios, mais que lugares de formação, são lugares de reflexão que procuram abrir horizontes ao nível do pensamento sobre diferentes aspetos que interessam à Igreja" atual.

"Uma das grandes preocupações do Santuário de Fátima tem sido levar teólogos e outros investigadores a olharem para Fátima, a partir das fontes primevas respeitantes a este lugar, mas também a partir da sua história centenária, das práticas rituais e espirituais que este lugar inspira", refere.

O responsável considera que "aquilo que vivem e sentem os milhares de peregrinos de Fátima interessa aos estudiosos e o que os estudiosos refletem interessa aos peregrinos".

"Esta dialética, mesmo que à primeira vista pareça não ser evidente, tem sido muito desenvolvida por estes simpósios, cuja reflexão se alimenta da práxis dos peregrinos e, ao mesmo tempo, alimenta essa mesma práxis", acrescenta.

Segundo Marco Daniel Duarte, através destes fóruns e do seu Departamento de Estudos, o Santuário de Fátima "aproxima-se de muitas academias", não apenas do ensino da Teologia, mas também de outras áreas, pois "só uma competente interdisciplinaridade poderá concorrer para esse desejável observatório sobre Fátima que beneficiará o pensamento atual".

"Este é um trabalho sempre a aprofundar. Deu os seus primeiros passados nos anos 40, 50 e 60 do século passado e teve um desenvolvimento muito grande nas décadas seguintes. Os anos 80 trouxeram grandes contributos para a fixação destas temáticas como preocupações permanentes, com congressos importantíssimos sobre os conteúdos de Fátima. O novo milénio, particularmente a dinâmica em torno do centenário das aparições, trouxe uma periodicidade notável a este tipo de fórum", acrescenta.

Na sua opinião, "se o Santuário de Fátima não continuar a aprofundar estes eixos de reflexão, trairá a sua missão, inscrita no mandato que Lúcia testemunha ter recebido da virgem Maria: aprendam a ler".

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