O líder da bancada do CDS-PP, Artur Lima, que interpelou o Governo sobre "transportes e acessibilidades", considerou que a alienação de parte do capital social da transportadora aérea regional é "uma fuga para a frente" para "esconder" a má gestão da companhia.

"Foi uma saída possível, à boa maneira socialista, esta alienação dos 49% do capital social da Azores Airlines. Uma espécie de fuga para a frente, com que, atabalhoadamente, como é usual, se tenta esconder dos açorianos o desastre de uma gestão irresponsavelmente megalómana, que foi sempre defendida e validada pelo Governo do Partido Socialista", apontou o dirigente centrista.

A Administração da companhia aérea açoriana anunciou hoje, à margem do debate parlamentar, que a única transportadora que ficou "pré-qualificada" neste processo de "manifestação de interesse" na Azores Airlines foi a "Loftleiðir-Icelandic ehf., empresa do Grupo Icelandair".

Mas no parlamento, a secretária regional dos Transportes, Ana Cunha, escusou-se a fazer comentários sobre aquela companhia, recordando apenas que esta privatização parcial está a ser "acompanhada pelo Governo" e que só irá fazer comentários quando existir alguma "proposta vinculativa".

A governante disse ter solicitado um estudo sobre este processo de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines, mas António Lima, deputado do Bloco de Esquerda, lamentou que o Governo tenha "omitido" o documento do parlamento.

"Fazendo fé à total transparência do Governo Regional neste processo, o Governo escondeu o estudo e não o mostrou na Assembleia nem aos açorianos e açorianas", lamentou o parlamentar bloquista, concluindo que, "sobre transparência, este processo é o pior que já se viu".

Também João Paulo Corvelo, do PCP, criticou a opção do executivo socialista de privatizar parte da Azores Airlines, considerando que esta opção "neoliberal" poderá "hipotecar o futuro da empresa pública regional de transportes aéreos".

Já Paulo Estevão, do PPM, entende que o facto de existir apenas uma companhia aérea interessada no capital da Azores Airlines é sinal de que o processo de privatização ficou aquém das expectativas do Governo e da Administração da transportadora.

"Tudo se encaminha para um grande fracasso, pelo facto de termos uma única empresa nesta fase do processo", insistiu o parlamentar monárquico, acrescentando que "não é preciso ser um grande especialista nestas matérias para perceber que a capacidade de negociação nas fases seguintes do processo é mais fraca".

Mas Francisco César, deputado da bancada do PS, entendeu que Paulo Estevão "está a contribuir para que a privatização não tenha o sucesso" desejado, atitude que considerou não ficar bem a um deputado regional.

A bancada do PSD, pela voz do deputado António Vasco Viveiros, considerou que "a alienação do capital da Azores Airlines foi tardia, quando o valor da empresa já é muito negativo".

Por seu turno, Duarte Freitas, líder parlamentar social-democrata, preferiu alertar para eventuais prejuízos que possam resultar para os açorianos, da atual revisão das condições de atribuição do subsídio de mobilidade aos passageiros açorianos, entre os Açores e o Continente.

"Podemos aceitar que tenha havido abusos e que mesmo alguma companhia aérea se aproveite do modelo, mas não podem todos os açorianos pagar por isso", alertou o deputado do PSD, apelando ao Governo Regional e ao Governo da República para que tentem assegurar junto da TAP e da SATA que desde processo não resultem "prejuízos para os açorianos".