Olhos que não veem, dieta que sofre?

O ditado não é bem assim, mas um conjunto de investigadores da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, acredita que o simples ato de colocar no rótulo a indicação de quanto exercício físico será necessário para queimar as calorias ingeridas com determinado alimento pode ajudar as pessoas a fazer melhores escolhas alimentares.

Mais do que isso: estão convencido que isso é o suficiente para reduzir em 200 calorias a ingestão diária de uma pessoa, escreve a BBC.

Como é que isto poderia funcionar na prática? Imagine que sabia, pelo rótulo, que para queimar uma barra de chocolate teria de correr 22 minutos ou andar 42. Ou que um refrigerante lhe custaria 13 minutos a correr ou 26 de caminhada. Já um pacote de batatas fritas requer um investimento de 16 minutos de corrida ou 31 a andar.

A equipa de investigadores acredita que esta rotulagem ajuda a contextualizar os alimentos que ingerimos, pode evitar que as pessoas comam em excesso e ainda sensibiliza-las para a necessidade de fazer exercício para queimar as calorias ingeridas.

A ideia não é que isto substitua os rótulos que hoje existem com a informação nutricional dos alimentos, mas que esta informação seja acrescentada. Amanda Daley, uma das autoras do estudo, salienta que mostrar esta informação de forma simples é muito importante, já que gastamos cerca de seis segundos a olhar para um pacote antes de decidir se vamos ou não comprar aquela comida.

"Nesse momento temos de ter algo que seja fácil de entender, sem ter de ter um curso de matemática para perceber o que comer um quarto de uma pizza significa na prática", exemplificou. "Se eu lhe disser que algo vai custar 60 minutos de caminhada a queimar, acho que a maioria das pessoas percebe que 60 minutos é um tempo considerável", acrescentou.

Para fazer esta recomendação, Daley e os seus colegas analisaram 14 estudos onde se explora o impacto de um sistema que rotulagem que inclua informação sobre o exercício necessário para queimar as calorias correspondentes ao alimento ingerido.

"Isto não é sobre fazer dieta, é sobre educar o público para o facto de que quando ingerimos comida há um custo energético, para que possam ponderar: 'quero mesmo gastar duas horas a queimar aquela fatia de bolo de chocolate? Este bolo de chocolate vale isso?", diz.

Para Daley "pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença no consumo calórico e, em última instância, no peso que se ganha", pelo que a sua esperança é de que as grandes empresas estejam dispostas a testar este tipo de rotulagem.

Mas há uma outra face da moeda. À BBC, Tom Quinn, de uma organização que trabalha com pessoas com distúrbios alimentares, alerta para o risco de este tipo de rotulagem ter um efeito negativo.

"Sabemos que muitas pessoas com distúrbios alimentares batalham com questões como exercício físico excessivo. Portanto, dizer num rótulo quanto exercício físico precisam de fazer para queimar determinado alimento pode exacerbar esses sintomas".

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