As notas dos alunos do ensino secundário nos exames nacionais de 2020 subiram em relação ao ano anterior e as raparigas voltaram a ter melhores desempenhos, segundo uma análise realizada pela Lusa tendo por base dados solicitados ao Ministério de Educação.

A subida geral das notas foi resultado das novas regras implementadas devido à pandemia de covid-19: os testes tinham mais perguntas opcionais, sendo contabilizadas apenas as respostas com melhores classificações. Além disso só precisa ir a exame quem quisesse candidatar-se ao ensino superior.

No ano passado, os exames nacionais deixaram de ser obrigatórios para a conclusão do secundário, contando apenas para a média de acesso ao ensino superior.

As alunas obtiveram uma média de 13,25 valores (no ano anterior foi de 11,27), enquanto os rapazes tiveram 12,85 (em 2019 foi de 11 valores), o que representa uma melhoria de cerca de dois valores em ambos os sexos (numa escala de zero a 20).

As notas médias de todas as disciplinas subiram, à exceção de Matemática Aplicada às Ciências Sociais, em que ambos os sexos "chumbaram".

Mesmo assim, as raparigas conseguiram aproximar-se dos dez valores (9,71 valores), enquanto os rapazes obtiveram uma média de 8,91 valores.

Espanhol foi a disciplina com melhor média nacional - as raparigas obtiveram 16,38 valores e os rapazes 15,48 –, seguindo-se Inglês (média a rondar os 15 valores) e Desenho A, áreas em que as raparigas voltaram a ter melhores resultados mas apenas com uma diferença de algumas décimas.

As disciplinas em que se notaram maiores disparidades no desempenho foram Física e Química A, Matemática A, Matemática B e História da Cultura e das Artes, nas quais a diferença da média nacional entre rapazes e raparigas foi de quase um valor.

Os rapazes, por seu turno, destacaram-se a Geografia A, História A e Geometria Descritiva A, superando as médias nacionais obtidas pelas colegas.

A média dos rapazes a Geografia foi de 13,86 valores (mais cinco décimas que as alunas) e a História A foi de 13,57 valores (quase mais três décimas).

Mas foi a Geometria Descritiva A que se notou a maior diferença: a média dos exames realizados pelos rapazes foi de 12,21 valores, enquanto as provas das raparigas se ficaram pelos 10,40 valores, ou seja, quase dois valores de diferença.

As médias nacionais nos exames foram obtidas tendo em conta o número total de provas realizadas no ano passado, sem qualquer filtro, ou seja, os 225.307 exames.

Tendência inverte-se e maioria das escolas passa a Física e Química

Mais de 90% das escolas tiveram média positiva no exame nacional de Física e Química do secundário em 2020, invertendo a tendência do ano anterior, em que mais de metade reprovou, segundo dados do Ministério da Educação.

No ano passado, 39.443 alunos do ensino secundário realizaram o exame nacional de Física e Química e, à semelhança das restantes disciplinas, também nesta a média de todas as provas subiu.

Com uma diferença de mais de três valores, a classificação média subiu para 13,3 valores, afastada dos anteriores 10 valores, que foram também a média positiva mais baixa desse ano, segundo uma análise feita pela Agência Lusa a dados do Ministério da Educação.

Com a subida da média global, inverteu-se também a tendência registada em 2019, quando seis em cada dez escolas “chumbaram” a Física e Química. Em vez disso, no ano passado a maioria teve média positiva.

Num universo de 630 escolas, houve 43 onde a média dos resultados dos seus alunos foi negativa, o que significa que a grande maioria (93,2%) passou nesta disciplina.

Estes resultados positivos registaram-se num ano em que os exames finais do secundário eram facultativos e serviam apenas como provas de ingresso.

Por outro lado, nestas provas os alunos beneficiaram também de regras de classificação diferentes das habituais, para mitigar as desigualdades acentuadas pelo ensino à distância, e apenas foram contabilizadas as respostas às perguntas obrigatórias e aquelas em que o aluno tenha tido melhor pontuação.

No ‘ranking’ elaborado pela Lusa, a partir dos dados disponibilizados pelo Ministério da Educação relativos aos exames nacionais do ano letivo 2019/2020, o Colégio Mira Rio, em Lisboa, foi o estabelecimento de ensino mais bem classificado, com 18,2 valores.

Nos primeiros lugares, seguem-se outras duas escolas particulares: a Academia de Música de Santa Cecília, também em Lisboa, e o Colégio Efanor, no Porto.

Ao contrário do ano anterior, em que havia três escolas públicas entre as 20 mais bem classificadas, a melhor pública de 2020 surge apenas em 27.º no ‘ranking’ geral, ocupado pela Escola Básica e Secundária Dr. Machado de Matos, no Porto, com 16,4 valores.

Coimbra, Viseu e Porto são os três distritos com melhores médias a esta disciplina. Já as escolas do estrangeiro e os distritos de Portalegre e Setúbal ocupam os últimos lugares.

As raparigas tiveram um melhor desempenho neste exame, com uma média de 13,7 valores contra a média de 12,8 valores dos rapazes.

Só quatro escolas tiveram média negativa a Biologia

Só quatro entre as mais de 600 escolas do ensino secundário onde os alunos fizeram o exame de Biologia e Geologia em 2020 tiveram média negativa, o que representa menos de 1% de “chumbos”, segundo dados do Ministério da Educação.

No ano passado, com novas regras para os exames nacionais devido à pandemia de covid-19, as notas melhoraram e, ao contrário do ano anterior, reprovar na prova de Biologia e Geologia foi um caso raro, segundo uma análise feita pela Agência Lusa a dados do Ministério da Educação.

Num ano em que os exames finais do secundário eram facultativos e serviam apenas como provas de ingresso, numa das mais disciplinas importantes para quem quer seguir cursos na área da Saúde realizaram-se cerca de 41 mil exames, quase o dobro em relação ao ano anterior, e a classificação média subiu mais de três valores.

De olhos postos no ensino superior, os estudantes superaram a média de 10,7 registada em 2019 e fixaram-na em 14 valores, a melhor média entre as disciplinas com mais de 10 mil provas realizadas e uma melhoria que se refletiu também no número de “chumbos”.

Entre as 630 escolas onde se realizaram exames de Biologia e Geologia, a média dos resultados dos seus alunos foi negativa em apenas quatro, o que representa 0,6% de chumbos comparativamente aos 40% do ano anterior.

Por outro lado, a lista feita pela Lusa volta a ser liderada pelo Colégio Cedros, no Porto (média de 18,5 valores), seguindo-se a Academia de Música de Santa Cecília e o Colégio Mira Rio, ambos em Lisboa.

Para encontrar a pública com a melhor média é preciso descer até ao 44.º lugar no ‘ranking’ geral, ocupado pela Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, com 16,1 valores, seguindo-se a Escola Básica e Secundária Dr. Machado de Matos, no Porto.

Por distrito, repetem-se Porto, Coimbra e Braga no pódio dos melhores desempenhos médios nesta prova.

No fundo da tabela, e sem médias negativas, surgem as escolas no estrangeiro, com 12,9 valores, seguindo-se os distritos de Portalegre e da Guarda.

As raparigas voltaram a ter um melhor desempenho neste exame, com uma média de 14,05 valores, pouco mais em relação aos 13,94 valores dos rapazes.

No ano passado, o Governo alterou as regras para as provas de avaliação externa devido à pandemia de covid-19, mantendo apenas os exames nacionais do ensino secundário que não seriam contabilizados para a classificação interna, servindo só como provas de ingresso para o ensino superior.

Por outro lado, nestas provas os alunos beneficiaram também de regras de classificação diferentes das habituais, para mitigar as desigualdades acentuadas pelo ensino à distância, e apenas foram contabilizadas as respostas às perguntas obrigatórias e aquelas em que o aluno tenha tido melhor pontuação.

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