Segundo o relatório “Dez novas perspetivas científicas”, elaborado por um painel global de cientistas com o apoio da Future Earth, Liga da Terra e o Programa Mundial de Investigação Climática e apresentado na 28.ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP28), o mundo não pode dirigir os seus esforços de descarbonização apenas para emissores tradicionais de carbono, mas sim para alternativas energéticas.

Este estudo tem sido atualizado todos os anos desde 2017 e apresentado nas cimeiras climáticas da ONU e inclui as conclusões mais recentes sobre o aquecimento global e os seus efeitos, resumindo as dez conclusões que consideram mais relevantes para informar os negociadores no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla original).

Trata-se, segundo o secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, de “uma ferramenta essencial para os decisores” numa altura “crítica” do calendário político.

O documento apresentado hoje alerta para a quase “inevitabilidade” de se ultrapassar o limiar de segurança estabelecido pelo grupo de especialistas em clima da ONU: um aquecimento global limitado a 1,5 ºC acima dos valores médios da temperatura da era pré-industrial.

O relatório destaca também outros impactos importantes que se agravaram nos últimos anos, como a perda acelerada de glaciares de montanha e a crescente imobilidade humana em áreas com elevados riscos climáticos.

São ainda analisadas algumas das estratégias que os países devem adotar para travar o aquecimento, começando por uma “eliminação rápida e controlada dos combustíveis fósseis” e uma reforma dos sistemas alimentares, propostas que devem ser apoiadas por “políticas sólidas” e um modelo de “governação conjunta” com novos instrumentos para tornar a justiça “operacional”.

A “dependência excessiva” dos locais naturais que sequestram o carbono emitido – florestas tropicais, zonas húmidas, oceano e outros ecossistemas que podem remover as emissões da atmosfera – é, no entanto, segundo os cientistas, “uma estratégia arriscada” porque a sua contribuição futura é “incerta”, já que as alterações climáticas irão criar danos também nessas zonas.

Com a crise climática, “todas as soluções são necessárias” e a capacidade de sequestro natural de carbono é limitada e está a degradar-se devido ao aquecimento, alerta o relatório.

Um dos autores do documento, Marcos Fernández, disse à agência espanhola EFE que, até agora, os pontos de sequestro de carbono terrestres e marinhos cresceram enquanto as emissões de dióxido de carbono (CO2) aumentaram, mas os especialistas alertam para o facto de, no futuro, estes ecossistemas poderem absorver menos CO2 do que o previsto com base nas avaliações existentes.

“Temos indicações de que a capacidade dos sumidouros, tanto terrestres como marinhos, está a diminuir”, afirmou.

São necessárias “soluções baseadas na natureza para remover o CO2 da atmosfera através de métodos naturais, mas não podemos confiar demasiado neles porque podem falhar e porque as alterações climáticas estão a provocar essa falha”.

“Qualquer mudança, qualquer perturbação propaga-se no futuro e está a provocar a desestabilização do ciclo do carbono em certas zonas, como o Mediterrâneo”, explica o especialista.

O investigador, que critica as soluções “tecno-optimistas”, é mais favorável à contenção económica para reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, conservar os ecossistemas, sublinhando que “o bem-estar da humanidade não depende do crescimento económico ou da utilização de materiais”, mas sim da natureza.

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