Em comunicado, o sindicato, sem indicar de quem se trata, acusa o “investidor oculto” que esteve na origem do “encerramento forçado da Cervejaria Galiza, no dia 11 de novembro, de volta a impor a sua presença e a perturbar as negociações em curso com outros pretendentes”.

Na reunião de 21 de janeiro, ocorrida nas instalações da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), no Porto, os trabalhadores receberam a informação de que “há dois investidores interessados”, mas o facto de os advogados da administração da cervejaria terem faltado ao encontro de 07 de fevereiro gerou desconfiança nos funcionários.

No comunicado, o sindicato relaciona a ausência dos representantes da administração na última reunião com a “perturbação gerada pelo investidor oculto”, acrescentando-lhe “a falta de informação sobre a assembleia-geral da sociedade programada para o final de janeiro” como motivos para “deixar os trabalhadores apreensivos”.

Reaberta a 12 de novembro depois de uma tentativa frustrada dos donos de a fechar compulsivamente, a cervejaria “está a funcionar em pleno, com receitas muito acima do anteriormente apurado e tem os salários e outras contas como a renda, água, luz, gás, e seguros em dia, tendo os trabalhadores libertado ainda verbas para a gerência pagar outras despesas como Segurança Social, IRS e IVA”, sustenta o comunicado.

Fonte do grupo de funcionários que estão a gerir aquele estabelecimento comercial confidenciou à Lusa que “pelo menos um dos investidores está fortemente interessado na aquisição”, confirmando “ter havido conversas com os trabalhadores, garantindo a manutenção dos postos de trabalho”.

A próxima reunião com a gerência no Ministério do Trabalho está prevista para 18 ou 21 de fevereiro.

A Cervejaria Galiza está, desde há quatro anos, em dificuldades, com dívidas aos funcionários, ao fisco e à Segurança Social que ascendem aos dois milhões de euros.

A tentativa de resolver o problema passou pelo recurso a um PER, aceite pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, e pela chegada de um gestor.

Os 31 trabalhadores mantêm-se, desde o dia 11 de novembro, de dia e de noite de forma alternada nas instalações, depois de se terem apercebido, nesse dia, da tentativa da retirada do equipamento pelos proprietários da cervejaria.

Fundada a 29 de julho de 1972, a cervejaria detida pela empresa Atividades Hoteleiras da Galiza Portuense é uma das referências do Porto no setor da restauração.

Várias figuras públicas ou políticos demonstraram apoio aos trabalhadores da Cervejaria Galiza, sendo que a 16 de dezembro a Assembleia de Freguesia União Lordelo do Ouro/Massarelos aprovou uma deliberação na qual se compromete "a apelar a todas as entidades envolvidas para que se superem os obstáculos com vista à viabilização da Cervejaria Galiza", conforme se lê numa carta enviada à agência Lusa pela CDU/Porto.

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