Na missiva entregue ao chefe de gabinete do ministro das Infraestruturas e da Habitação, a que a Lusa teve acesso, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e o Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA) dizem que os trabalhadores que representam “estão preocupados com a rota de colisão em que a atual gestão colocou a empresa”, num “ambiente de despesismo pouco ou nada auditado”.

Os sindicatos referem “a despesa com contratações externas”, os custos de “mais de um milhão de euros por mês” na conversão de aviões de longo curso em aviões de carga, “mas que nunca saíram do chão”, a mudança da sede e o “meio milhão de euros gasto no piso 5 do edifício da administração, para o transformar em andar modelo, sem utilização futura à vista”.

“A atual gestão tem mostrado várias vezes incapacidade para motivar e cativar os trabalhadores, mantendo uma postura distante e pouco consensual, ou será que as indicações para tal postura vêm da tutela, senhor ministro?”, lê-se na missiva.

Os sindicatos argumentam ainda que os trabalhadores foram “alvo de ameaças para aceitarem acordos temporários de emergência, sob pena da implementação de um regime sucedâneo”, para que fossem “aceites condições de trabalho abusivas”, sob pressupostos que consideram já não existir, uma vez que a retoma da atividade, fortemente afetada pela pandemia, está a acontecer antes do previsto.

Adicionalmente, as estruturas representativas dos trabalhadores dizem também estar preocupadas com a questão da infraestrutura aeronáutica da região de Lisboa.

“O aeroporto de Lisboa está amplamente ultrapassado, fruto de um desinvestimento a que esteve votado durante décadas, não tendo melhorado por força do contrato de concessão que, em má hora, foi concedido a empresa cujo pensamento de desenvolvimento estratégico é bem diferente do que é o interesse nacional”, acusam as estruturas.

Os sindicatos apontam que sem uma infraestrutura adequada, “os operadores não podem aumentar a oferta e sem essa capacidade as empresas definham e os postos de trabalho escasseiam”.

Cerca de 1.000 trabalhadores da TAP, entre pilotos, tripulantes de cabine e técnicos de manutenção, manifestaram-se hoje, em Lisboa, numa marcha silenciosa desde o Campo Pequeno até ao Ministério das Infraestruturas, pela melhoria da qualidade do serviço e sustentabilidade da empresa.

Esta manhã, a Comissão Executiva da TAP repudiou, em comunicado, “a constante tentativa de ataques à sua credibilidade e competência”.

“A Comissão Executiva da TAP lamenta e repudia a constante tentativa de ataques à sua credibilidade e competência, os julgamentos de intenções e a cada vez mais frequente apresentação de ‘factoides’ avulso, propositadamente descontextualizados, distorcidos e até, nalguns casos, completamente falsos, com que alguns sindicatos bombardeiam constantemente a comunicação social”, afirmou a gestão da transportadora aérea.

O Ministério liderado por Pedro Nuno Santos também emitiu um comunicado, onde diz contar com “sentido de responsabilidade” dos trabalhadores em transformar a operadora aérea “numa empresa rentável e sustentável”, “num momento” em que o plano de reestruturação da TAP “está a ser executado com sucesso”.

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