“Há serviços que ficaram sem trabalhadores e, portanto, foi 100%, mas há serviços que estão a 80%, a 90%. Diria que é uma das maiores greves que se fizeram no âmbito dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica”, disse à Lusa José Abraão, secretário-geral da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP).

Segundo o dirigente sindical, a manifestação de hoje, frente à Assembleia da República, foi também “uma das maiores” dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, com mais de 1.500 profissionais presentes, num universo de cerca de 8.000, acrescentando que as informações indicam que a greve vai em crescendo, havendo “cada vez mais trabalhadores em greve, pese embora estejam a garantir os serviços mínimos”.

“Seguramente que a greve amanhã [sexta-feira] ainda será superior”, disse.

“Há sempre trabalhadores que no primeiro dia de greve ainda têm alguma hesitação, mas no segundo acabam por se convencer, até pelo volume de trabalhadores que fizeram greve. Estou perfeitamente convencido que amanhã será ainda maior e só temos que pedir desculpa aos utentes dos serviços. Não é contra eles, é para exigirmos negociação para resolver um problema que já tem 18 anos”, acrescentou.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica iniciaram hoje às 00:00 dois dias de greve nacional por falta de acordo com o Governo sobre matérias relativas às tabelas salariais, transições para nova carreira e sistema de avaliação.

A greve é convocada pelas quatro estruturas sindicais que representam os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, com a paralisação a afetar análises clínicas, meios complementares de diagnóstico e alguns tratamentos.

Os sindicatos alegam que a tabela salarial imposta pelo Governo faz com que cerca de 90% dos técnicos permaneçam na base da carreira toda a sua vida profissional. Além disso, dizem que o sistema de avaliação imposto prolonga a estagnação salarial por mais 10 anos.

Argumentam ainda que o Governo violou o acordo firmado com os sindicatos, reduzindo a quota dos que atingem o topo da carreira em 50%.

A greve, que se prolonga até às 24:00 de sexta-feira, prevê o cumprimento de serviços mínimos, abrangendo tratamentos de quimioterapia e radioterapia ou os serviços de urgência.

José Abraão disse ser um “sinal positivo” do Governo a convocatória recebida pelos sindicatos esta tarde para estarem presentes numa reunião negocial no Ministério da Saúde na próxima segunda-feira, 28 de maio, pelas 14:30.

“Tudo indica poderão existir propostas novas que aproximam posições, indo ao encontro daquilo que era a razão de ser da nossa greve, que era o Governo aproximar posições, porque fizemos a greve para negociar. Se a negociação vai acontecer na próxima segunda-feira é um sinal positivo. Vamos ver que propostas novas o Governo tem para nos apresentar e significa que a negociação vai continuar. Vale a pena lutar”, disse o sindicalista.

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