“Cinquenta e três mortos, pelo menos 46 meninas e mulheres jovens. 110 feridos. A nossa equipa de direitos humanos continua a documentar o crime: verificar os factos e estabelecer dados confiáveis para combater negações e revisionismo”, sublinhou a missão numa mensagem hoje divulgada na rede social Twitter.

De acordo com o balanço anterior, publicado esta madrugada, o número de mortos situava-se nos 43. O mesmo balanço também dava conta de 83 feridos.

O atentado, que vitimou maioritariamente raparigas, foi levado a cabo por um bombista suicida e visou estudantes que estavam a preparar-se para os exames. O ataque ainda não foi reivindicado por nenhum grupo.

A explosão aconteceu no distrito de Dasht-e-Barchi, em Cabul ocidental, uma área predominantemente muçulmana xiita onde vive a minoria hazara, de origem turca e mongol.

Este bairro tem sido alvo de vários ataques nos últimos anos, que se intensificaram desde o regresso ao poder dos talibãs, em agosto de 2021.

No fim de semana, foram registadas algumas manifestações, lideradas por mulheres, na capital do país, Cabul, e em outras cidades do Afeganistão para denunciar o ataque, mas as iniciativas foram imediatamente reprimidas pelas forças talibãs, que dispararam para o ar várias vezes a fim de dispersar os manifestantes.

A educação das meninas afegãs é uma questão extremamente sensível no Afeganistão, um país de maioria sunita.

Os talibãs proibiram as meninas de frequentar o ensino secundário e, embora as estudantes do sexo feminino sejam admitidas na universidade, o seu número deverá diminuir com o passar dos anos, por incapacidade de aceder a este nível sem ter frequentado o ensino secundário.

O regime talibã também combate a comunidade hazara, que considera herege, visão também partilhada pelo núcleo regional do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, o EI-K, que se opõe igualmente à educação de meninas e raparigas.

O atentado foi condenado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que pediu ao regime talibã que proteja os direitos de todas as pessoas, “independentemente da origem étnica ou do género”.

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