Procedentes do mundo inteiro, são mais de 200 sobreviventes neste antigo campo de concentração nazi de Auschwitz, situado no sul da Polónia. Lá, partilham os seus testemunhos com o intuito de chamar a atenção para a recente onda de ataques antissemitas dos dois lados do Atlântico, alguns letais.

Com gorros e lenços com riscas azuis e brancas, simbolizando os uniformes destes prisioneiros no campo, atravessaram, com tristeza, o célebre portal de ferro com a inscrição "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta", em tradução livre do alemão para o português). Acompanhados do presidente polaco, Andrzej Duda, depositaram coroas de flores perto do "muro da morte", onde os nazis mataram milhares de pessoas.

"Queremos que a próxima geração saiba o que nós vivemos e que isso não aconteça nunca mais", declarou com a voz embargada pela emoção o sobrevivente de Auschwitz David Marks, de 93 anos, antes de uma cerimónia no domingo de manhã.

Marks perdeu 35 membros da sua família de judeus romenos em Auschwitz, o maior dos campos da morte instalados pela Alemanha nazi, que se tornou símbolo dos seis milhões de judeus europeus mortos no Holocausto.

A partir de meados de 1942, os nazis deportaram sistematicamente judeus de toda Europa para seis grandes campos de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka.

'Sem política'

Os organizadores insistem no facto de que a cerimónia comemorativa de hoje deve concentrar-se no que os sobreviventes têm a dizer, e não nas divergências políticas que marcaram os preparativos da data.

"Trata-se dos sobreviventes, não se trata de política", declarou Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial, neste ex-campo de concentração hoje transformado em memorial e museu, administrados pela Polónia.

"Observamos o impulso do antissemitismo, e não queremos que o seu passado (o dos sobreviventes) seja o futuro dos seus filhos, ou o futuro dos seus netos", completou.

Chefes de Estado e de governo de quase 60 países assistirão à cerimónia de hoje, que contará com a ausência dos líderes das grandes potências mundiais. Estes últimos participaram, na última quinta-feira, numa cerimónia semelhante em Jerusalém.

O presidente polaco, Andrzej Duda, recusou-se a ir a Jerusalém, depois de saber que não poderia fazer um pronunciamento com as demais autoridades. Já o presidente russo, Vladimir Putin, teve um papel de protagonismo.

Em dezembro, Putin causou indignação na Polónia e no Ocidente após afirmar que este país foi conivente com o ditador nazi Adolf Hitler e contribuiu para a deflagração da Segunda Guerra Mundial.

Duda deve discursar esta segunda-feira.

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