Ana Gomes, diplomata de carreira e militante do PS desde 2003, anuncia a sua candidatura às eleições presidenciais de 2021 numa sessão que se vai realizar na Casa da Imprensa, em Lisboa, pelas 16:00.

Ao longo dos últimos meses, a ex-eurodeputada socialista tem defendido a importância de o espaço político do PS ter uma candidatura nas próximas eleições presidenciais, sobretudo para combater projetos de extrema-direita, como o protagonizado pelo líder do Chega, André Ventura.

Ana Gomes tem considerado um erro a indefinição dos órgãos nacionais do PS em relação às próximas eleições presidenciais e afirmado por várias vezes que nunca quis uma candidatura que dividisse o seu partido.

Um episódio protagonizado pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em maio passado, na fábrica da Autoeuropa, em Palmela, fez a diplomara ponderar pela primeira vez “seriamente” entrar na corrida a Belém.

Nessa visita, António Costa manifestou a expectativa de regressar àquela fábrica com o atual Presidente da República já num segundo mandato do atual chefe Estado, dando assim como certa a recandidatura e reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa.

No entender de Ana Gomes, esse episódio foi “absolutamente lamentável, deprimente mesmo” e “perigoso para a democracia”, devendo provocar “uma reflexão” da sua parte e de todos os democratas”.

Enquanto militante socialista, criticou António Costa por ter assumido uma posição sobre as presidenciais quando “não estava na qualidade sequer de dirigente partidário, mas na qualidade de primeiro-ministro”, e observou que “a democracia não está suspensa”, mas “parece que alguns pensam que está suspensa no PS”.

Dentro do PS, a candidatura de Ana Gomes recebeu já o apoio do antigo líder parlamentar e ex-eurodeputado socialista Francisco Assis, e do líder da tendência minoritária dentro da Comissão Política do PS, Daniel Adrião.

Até hoje, o secretário-geral do PS não comentou a candidatura de Ana Gomes – atitude que também foi seguida pela maioria dos principais dirigentes socialistas.

Em recente entrevista ao semanário Expresso, o primeiro-ministro considerou que se Marcelo Rebelo de Sousa não se recandidatasse a Presidente da República “havia um problema grave no conjunto do país” que, no seu entender, tem por certo que concorra a um segundo mandato do atual chefe de Estado.

Na mesma entrevista, preveniu logo que, por exercer as funções de primeiro-ministro, adotará uma atitude de “recato” nas próximas eleições presidenciais.

Já sobre a forma como o PS vai gerir o processo das próximas eleições presidenciais, o secretário-geral socialista disse que haverá um momento em que os órgãos do seu partido se irão pronunciar sobre essa matéria, mas não disse quando

Dentro do PS, a questão das presidenciais foi apenas brevemente discutida numa Comissão Política realizada em 21 de maio – uma reunião que António Costa procurou centrar no debate em torno das principais linhas do Programa de Estabilização Económica e Social.

O líder da tendência minoritária dentro da Comissão Política do PS, Daniel Adrião, defendeu o apoio a uma candidatura de Ana Gomes e considerou “um erro grave” a opção por um apoio indireto à reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, advertindo que um segundo mandato do atual Presidente da República poderá ser mais à direita do que o primeiro.

Na resposta, o dirigente socialista Porfírio Silva disse que preferia que surgisse uma candidatura presidencial no espaço político do PS, mas recusou apoiar Ana Gomes.

No seu discurso, Porfírio Silva, também vice-presidente da bancada socialista, pronunciou-se sobre os riscos de um crescimento da extrema-direita nas próximas eleições presidenciais.

“E pior do que isso só pode ser outra coisa: Que na área do PS só esteja disponível um candidato populista, sem histórico de um programa de esquerda articulado e coerente, mas com um histórico de confundir a política com corrupção e de pintar o PS como uma associação de malfeitores que já foi liderada por um secretário-geral criminoso. É esse o discurso que podemos ter de engolir durante uma campanha eleitoral vindo do suposto candidato da área do PS”, declarou, sem nunca referir o nome da ex-eurodeputada Ana Gomes.

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