Na opinião de Rui Pereira, não há soluções mágicas para os números crescentes de refugiados que abandonam os seus países e tentam encontrar em solo europeu uma solução de vida, mas entende que “uma das soluções obrigatórias” no espaço geopolítico europeu “é o aprofundamento da União Europeia”.

“Aprofundar significa reforçar a democracia. O grande défice da Europa, na minha perspetiva, é um défice democrático, de representatividade. O Parlamento Europeu é uma manta de retalhos e os maiores responsáveis da União Europeia não respondem perante o povo europeu”, apontou Rui Pereira.

O antigo ministro e ex-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo foi um dos oradores convidados para falar no painel “Inclusão vs Exclusão. Decida como vai ser”, no âmbito do XII congresso do Conselho Português para os Refugiados, sob o tema “O Futuro da Europa depende do Futuro dos Refugiados.

Para Rui Pereira, a Europa “é hoje uma solução instável”, à qual só resta duas opções: “Ou acaba por se desvanecer como uma estrela moribunda ou então aprofunda-se, não tem outra escolha além destas duas”.

Sublinhou, por outro lado, que a “União Europeia é uma das experiências mais ricas, mais originais, mais atrevidas em termos de política internacional que a humanidade já abraçou”.

Para Rui Pereira, a crise dos refugiados é um problema humanitário num duplo sentido: por estarem em causa seres humanos em condições desesperadas e no sentido de se exigir uma atividade solidária de seres humanos também na qualidade de seres humanos.

“Independentemente da nacionalidade, do credo político, independentemente da religião, é duplamente um problema humano que nos convoca, que nos interpela, que exige a intervenção da comunidade internacional”, apontou.

No que diz respeito ao facto de Portugal estar preparado para acolher pessoas refugiadas, o antigo ministro da Administração Interna sublinhou que “politicamente sim”, já que não há nenhum partido com assento parlamentar, da esquerda à direita, que faça propaganda a ideais xenófobos.

Já em relação à integração de facto destas pessoas no país, Rui Pereira disse que “garantidamente não” é um trabalho fácil, com dificuldades a nível material.

“Vontade não nos falta, mas às vezes os meios não são muitos”, frisou.

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