O impacto das afirmações de Spicer foi agravado por terem sido feitas em plena semana santa para católicos e judeus.

Spicer classificou a comparação, feita na terça-feira durante o encontro habitual com os jornalistas, como uma desilusão pessoal e profissional e pediu perdão às “pessoas”.

Durante uma intervenção calendarizada, num fórum sobre a presidência e a imprensa, Spicer afirmou que “fazer uma ‘gaffe’ e um erro como este é indesculpável e repreensível”.

“É realmente doloroso para mim saber que eu fiz uma coisa destas. Claro que não era a minha intenção. Saber quando se faz alguma coisa que possivelmente ofendeu uma série de pessoas... Claro que peço o perdão das pessoas, que compreendo que eu nunca deveria ter tentado fazer a comparação”, desculpou-se.

Este foi o segundo pedido de desculpas, depois de um primeiro ‘mea culpa’, na terça-feira, durante uma entrevista na estação televisiva CNN.

Na terça-feira, durante o encontro diário com os jornalistas na Casa Branca, Spicer disse que Adolf Hitler “não tinha sido tão baixo ao ponto de usar armas químicas”.

O comentário provocou censuras imediatas de críticos, que salientaram que a afirmação ignora o uso por Hitler de câmaras de gás para exterminar judeus durante o Holocausto.

As reações ao comentário inicial de Spicer prosseguiram hoje, com os dirigentes do memorial ao Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, a convidá-lo a visitar o seu sítio na internet.

Na entrevista à CNN, Spicer esclareceu que os seus comentários não refletem as opiniões de Donald Trump, mas “foram uma distração sua e francamente foram erradas, insensíveis e erradas”, acrescentando: “Obviamente foi um erro meu”.

Depois do comentário inicial, Spicer procurou corrigir as suas afirmações, tentando diferenciar as ações de Hitler do ataque com gás a civis sírios na semana passada. Este ataque, ocorrido no norte da Síria, provocou cerca de 90 mortos e o ministro da saúde da Turquia garantiu que os testes revelavam o uso de gás sarin.

“Penso que quando se usa o gás sarin (…) ele (Hitler) não usou o gás da mesma forma que Al-Assad está a fazer, sobre o seu próprio povo. Ele levou-os (aos judeus) para o centro do Holocausto”, declarou Spicer.

Depois do encontro com os jornalistas, Spicer enviou-lhes uma mensagem por correio eletrónico, em que garantiu: “De forma alguma, procurei diminuir a natureza horrorosa do Holocausto. Estava a tentar distinguir entre a tática de usar aviões para lançar armas químicas sobre centros populacionais. Qualquer ataque a pessoas inocentes é repreensível e indesculpável”.

Um porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel disse que comparar os crimes de guerra nazis com situações dos dias de hoje “não levam a nada de bom”.

Robert Rozett, diretor da biblioteca do Yad Vashem, disse que os comentários de Spicer implicam uma “profundo desconhecimento dos eventos da II Guerra Mundial, incluindo o Holocausto” e “são responsáveis por reforçar o poder dos que pretendem destruir a história”.

Nos EUA, várias organizações judaicas e dos democratas condenaram os comentários.

A líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, eleita pela Califórnia, considerou que Spicer “minimizou o horror do Holocausto” e defendeu o seu despedimento.

O Centro Anne Frank para o Respeito Mútuo, baseado em Nova Iorque, também defendeu o despedimento de Spicer, argumentado que este negou que Hitler tivesse gaseado os judeus durante o Holocausto.

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