“Foi há precisamente um mês que o Sitava tomou posição pública fazendo notar que a retoma da operação da TAP estava atrasada em relação ao que já se fazia sentir nas companhias estrangeiras nossas concorrentes. Se isto era verdade há um mês atrás, que dizer hoje quando a TAP ainda mal descolou da paralisia para onde a atual administração a relegou”, defende o sindicato, num comunicado enviado às redações.

Para o Sitava, a retoma da operação da transportadora aérea é “absolutamente indispensável” e considera a sua demora “inaceitável”.

“Não é aceitável que a companhia se mantenha com uma gestão a prazo que continua a incentivar experimentalismos ‘aventureiristas’ na direção de Redes e Controlo de Receita, ao contrário daquilo que devia fazer, que era colocar voos no sistema para venda”, afirma o Sitava.

O sindicato lembra que, segundo o Governo, falta a assinatura do acionista privado que saiu da empresa, David Neeleman, dono da Azul, para finalizar o acordo que permite o financiamento do Estado à TAP.

A Azul tem já marcada uma assembleia geral para dia 10 de agosto, para aprovação desse mesmo acordo.

“O Estado português vai ficar à espera que uns quantos acionistas credores, estrangeiros, decidam o futuro da TAP e das nossas vidas?”, questiona o Sitava, no mesmo documento.

O sindicato refere ainda os “negócios ruinosos feitos com a Azul”, destacando o ‘leasing’ de aviões, os acordos de ‘codeshare’ (acordo no qual várias companhias aéreas partilham o mesmo voo, serviço e canais de venda), a ‘joint venture’ (parceria comercial) recentemente assinada e o empréstimo obrigacionista de 2016.

“Pasme-se que a Azul subscreveu um dos empréstimos com que os acionistas privados carregaram a TAP quando entraram, no valor de 90 milhões de euros, com juros de 7,5% ao ano a capitalizar, que lhe vai proporcionar no momento do vencimento, em junho de 2026, um encaixe só em juros, de mais de 99 milhões de euros, mais precisamente 99.006.782,00 euros. Sim, só de juros”, acrescenta o sindicato.

O Governo anunciou em 02 de julho que tinha chegado a acordo com os acionistas privados da TAP, passando a deter 72,5% do capital da companhia aérea, por 55 milhões de euros.

"De forma a evitar o colapso da empresa, o Governo optou por chegar a acordo por 55 milhões de euros", referiu, nesse dia, o ministro das Finanças, João Leão, em conferência de imprensa conjunta com o ministro Pedro Nuno Santos, em Lisboa.

O Estado aumenta a participação na TAP dos atuais 50% para 72,5%.

Também presente na conferência de imprensa, o secretário de Estado do Tesouro, Miguel Cruz, precisou que o Estado pagará o montante de 55 milhões de euros, que se destina à renúncia por parte Atlantic Gateway ao "exercício das opções de saída do acordo parassocial".

O governante esclareceu também que a Atlantic Gateway passa a ser controlada por apenas um dos acionistas que compunha o consórcio, designadamente o português Humberto Pedrosa, dono do grupo Barraqueiro.

O dono da companhia aérea Azul, David Neeleman, sai assim da estrutura acionista da TAP.

A Comissão Europeia aprovou em 10 de junho um "auxílio de emergência português" à TAP, um apoio estatal de até 1.200 milhões de euros para responder às "necessidades imediatas de liquidez" com condições predeterminadas para o seu reembolso.

Uma vez que a TAP já estava numa débil situação financeira antes da pandemia de covid-19, a empresa "não é elegível" para receber uma ajuda estatal ao abrigo das regras mais flexíveis de Bruxelas devido ao surto, que são destinadas a "empresas que de outra forma seriam viáveis".

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