Às 11:00 de hoje, quando as previsões meteorológicas apontavam para uma subida da temperatura até perto dos 40 graus centígrados durante o fim-de-semana, os participantes no protesto já tentavam proteger-se como podiam do sol, num momento em que o termómetro já tinha chegado aos 35 graus.

Na Estrada Nacional 125/10, perto da rotunda do aeroporto de Faro, onde cerca de 200 táxis estão parados, as sombras escasseiam. Mas a solidariedade entre a classe permite que uns vão ajudando outros e se desloquem alternadamente a supermercados para levar bebidas e alimentos para a zona ou que se vão revezando junto aos táxis, enquanto os colegas vão a casa tomar um banho e descansar um pouco.

João Ramos, taxista em Albufeira, estava hoje com um colega à sombra de um porta-bagagens aberto e destacou, em declarações à agência Lusa, a resiliência dos profissionais do setor, que se mantêm em protesto desde quarta-feira de manhã.

“Este carro está aqui há mais de 72 horas. E nós vamos resistindo, com umas águas frescas, tentando encontrar sombras e passando o tempo da melhor forma que conseguimos”, contou, enquanto alguns colegas se deitavam no chão à sombra dos carros e outros se protegiam do sol com sombrinhas de praia colocadas entre dois automóveis.

Leonel Sequeira trabalha como taxista há 34 anos e disse à Lusa que este protesto no Algarve, que segundo os organizadores chegou já a contar com cerca de 270 automóveis, é o maior que viu em todos os anos de profissão.

“Há uns anos também fizemos um, que foi uma marcha entre o aeroporto e Faro, mas não teve tanta gente a participar como este”, disse.

Analídio Inácio chegou hoje ao local do protesto transportando uma geleira às costas, acompanhado por outros taxistas que levavam sombras, cadeiras e uma mesa.

“Trago aqui mantimentos para aguentarmos umas horas. Juntámo-nos uns quantos, formos ao supermercado e enchemos a geleira e trouxemos uma sandes para o pessoal comer qualquer coisa”, contou.

Os taxistas continuam hoje em protesto, com carros parados em Lisboa, Porto e Faro, pelo quarto dia consecutivo, e determinados a manter a luta até serem recebidos pelo Governo, segundo Florêncio Almeida, da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros de Passageiros (ANTRAL).

Em causa está a entrada em vigor, em 01 de novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal – Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé -, legislação promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 31 de julho.

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