Convictos de que "a luta está a intensificar-se", como referiram à agência Lusa dirigentes da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e da Federação de Táxis do Porto, os responsáveis pelo protesto pediram: "Para que haja em Lisboa fumo branco, temos de colaborar e mostrar força em todo o país".

José Monteiro, vice-presidente da ANTRAL, está na avenida dos Aliados a acompanhar os motoristas de táxi nortenhos desde as 06:00 de quarta-feira, contando com mais de 30 horas de protesto, afirmou ter a certeza de que o protesto "é para durar".

"O protesto está a intensificar-se. Não quero ver as posições a extremarem-se e não acredito que [tal] aconteça, mas temos direito à nossa indignação e a lutar, porque Portugal não é uma república das bananas. Não pode chegar cá a Uber ou as outras

e fazer tábua rasa da legislação", referiu José Monteiro.

Ao lado, Carlos Lima, da Federação de Táxis do Porto, fazia os cálculos do protesto apontando para um aumento de carros na avenida.

"Ontem [quarta-feira] se calhar eram 200, de noite 250 e agora ultrapassa os 300. De noite, contei eu, estavam 108 motoristas a dormir dentro dos carros e muitos cá fora a revezar-se", assegurou.

Ambos os dirigentes aproveitaram para "apelar à participação de todos", nomeadamente de taxistas de outros distritos, referindo que na quarta-feira o distrito de Aveiro fez-se representar e hoje "Braga voltou para ficar".

Em declarações à Lusa, Tiago Cunha, motorista de táxi há dez anos e associado da central de táxis Andique, que opera em Braga, confirma a adesão de colegas de outros distritos ao protesto instalado no Porto, apelando também à presença de “mais e mais" profissionais.

"Depois de garantidos os serviços mínimos, deviam vir todos. Só nos fazemos ouvir se se sentir na pele a falta de táxis. Somos contra a concorrência desleal, contra as leias aprovadas que privilegiam as plataformas. O setor do táxi precisa de apoio nos impostos, no acesso a combustível, nos gastos com o carro, assim como é verdade que precisa de se modernizar, de aderir às novas tecnologias e de ganhar margem para os novos desafios", disse Tiago Cunha.

Com este motorista bracarense viajou Lourenço Dias, taxista há 18 anos que também dedicou a manhã a contabilidade: "Ontem [quarta-feira] estiveram aqui mais de dez carros de Braga, de noite eram pelo menos 15 e agora estamos dez. Vamo-nos revezando, mas é preciso que venham mais", disse.

Cerca das 13:30 estavam ocupadas na avenida dos Aliados, Porto, duas faixas de rodagem em cada sentido por táxis, existindo uma maior concentração no sentido ascendente.

Os taxistas continuam hoje concentrações em Lisboa, Porto e Faro contra a entrada em vigor, em 01 de novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte em veículos descaracterizados que operam em Portugal - Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé.

Desde 2015, este é o quarto grande protesto contra as plataformas que agregam motoristas em carros descaracterizados, cuja regulamentação foi aprovada, depois de muita discussão, no parlamento, em 12 de julho, com os votos a favor do PS, do PSD e do PAN, os votos contra do BE, do PCP e do PEV, e a abstenção do CDS-PP.

A legislação foi promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 31 de julho.

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