As telas com retratos dos dois pastorinhos feitos pela artista Sílvia Patrício terão cerca de onze metros de altura por três de largura e, segundo o reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, apesar de serem pensadas para o momento da canonização, vão manter-se mais algum tempo.

“Será sempre um elemento provisório, transitório. Mas, pelo menos até outubro, teremos estas telas na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário a recordar-nos este momento feliz”, afirmou aos jornalistas, durante a sessão de apresentação das imagens dos beatos.

Carlos Cabecinhas justificou que a opção pelos retratos — ao invés do uso das fotografias, tal como aconteceu em 2000, aquando a sua beatificação — com o facto de se pretender “transmitir também aquilo que são os traços da sua santidade”.

“Se eles vão ser canonizados, destacaram-se por determinadas vivências e atitudes, e a imagem oficial deve ser capaz de transmitir esse tipo de atitude, de relação com Deus, que estes dois novos santos viveram. Daí a necessidade de optar por algo diferente daquilo que são as fotografias”, sublinhou.

Estas imagens “têm este caráter devocional, de marcar aquilo que destaca a santidade do Francisco e da Jacinta”.

O reitor do santuário explicou que houve a preocupação de que, “num recinto de oração cheio”, as imagens ficassem colocadas de forma a serem vistas pelos peregrinos.

“Optámos, por isso, pela colocação na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, uma colocação muito semelhante àquela que foi a opção tomada no ano 2000. Permite que as duas figuras sejam claramente vistas pelos peregrinos em qualquer parte do recinto de oração”, afirmou.

Desta forma, não é ofuscado “o lugar de Nossa Senhora”, mas são destacadas as imagens “dos dois novos santos no dia da sua canonização”, acrescentou.

A postuladora da causa de canonização de Francisco e Jacinta Marto, Ângela Coelho, disse que, “mais do que uma fotografia, estes retratos apresentam uma formulação plástica que mostra a psicologia dos dois santos, a forma particular como estes se relacionaram com Deus e as expressões peculiares da sua santidade”.

“A fotografia que está na base desta representação foi tirada em Aljustrel, dias antes de 13 de outubro de 1917. As vestes dos pastorinhos, que as fotografias fixaram a preto e branco, ganharam cor a partir de uma pesquisa de sabor etnográfico que a autora levou a cabo”, explicou.

Nas imagens são visíveis o terço e uma candeia que cada um têm na mão. Têm também uma auréola com “vários símbolos que descrevem a relação das figuras com a sua história e representam alguns dos seus traços de santidade”.

A auréola de Francisco Marto tem inscritas “a silhueta do Anjo de Fátima, que se faz portador da Eucaristia, a sarça ardente, símbolo bíblico da adoração a Deus, e as espécies eucarísticas, que aqui lembram a especial ligação de Francisco a ‘Jesus escondido'”, enquanto na de Jacinta “veem-se a figura do papa e a figura da Virgem Maria, representada com o seu Coração Imaculado, símbolo que é tomado no cimo do trabalho de ‘filigrana’, que exprimem o coração generoso de Jacinta na sua entrega”.

Os olhares dos dois pastorinhos também são diferentes: “Jacinta olha de frente para o observador, em atitude de interpelação, Francisco ergue os olhos ao alto, apontando para uma atitude eminentemente contemplativa”.

Sílvia Patrício disse aos jornalistas que quis transmitir a imagem de “sofrimento, de acreditarem numa causa” e o facto de não terem tido uma vida fácil.

“O desafio que me tinham feito era que, dentro de cada quadro, houvesse símbolos que fizessem parte deles. Mas aquilo que achei mais importante, em primeiro lugar, eram eles, acho que mereciam isso. E os elementos foram inseridos na auréola”, explicou.

No que respeita ao olhar, quis que “comunicasse algo”, ou seja, “que a pessoa quando olhasse para eles conseguisse sentir alguma coisa”.

Carlos Cabecinhas disse estar tranquilo em relação “ao andamento do ultimar os preparativos” para as comemorações do Centenário das Aparições de Fátima e a visita do papa, na sexta-feira e no sábado.

“Tudo está pronto, estamos agora a montar muitas dessas estruturas. Recebemos também já um enorme movimento de peregrinos que acorrem a Fátima e que vêm já para estes dias festivos”, acrescentou.

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