Pelo menos 73 pessoas morreram na quinta-feira, segundo a Rádio Moçambique, que cita o Governo provincial, e mais de cem ficaram feridas em Caphiridzange, no distrito de Moatize, em resultado do incêndio de um camião-tanque em circunstâncias ainda pouco claras.

Segundo um comunicado do Conselho de Ministros, que referia a existência de 43 mortos, antes da atualização da emissora pública, a causa ficou a dever-se ao aquecimento do camião, antecedendo o incêndio e o relato da Rádio Moçambique apontava para a ocorrência de um raio quando dezenas de pessoas retiravam o combustível.

Ainda de acordo com o relato da rádio pública, o camião foi desviado da sua rota por um motorista de longo-curso, do Malaui para a localidade de Caphiridzange, distrito de Moatize, onde ocorreu a tragédia, às 15:00 locais (menos duas em Lisboa).

Após um balanço oficial preliminar de 43 mortos, as autoridades provinciais atualizaram este número para 73, segundo a Rádio Moçambique, e admitiram a existência de mais vítimas nas imediações do local do desastre, de pessoas atingidas pela explosão e que tentavam correr para um rio nas proximidades.

A tragédia voltou à província de Tete, depois de em janeiro do anos passado 75 pessoas terem morrido envenenadas por uma bebida tradicional ao regressarem de um funeral.

A morte de 75 pessoas em Chitima, sede do distrito de Cahora Bassa, na província de Tete, incluindo a mulher que confecionou a bebida, foi provocada pela utilização de farinha de milho contaminada com a bactéria 'Burkholderia gladioli'.

Após meses de especulações, um laboratório norte-americano identificou a presença daquela bactéria - um microrganismo responsável pela produção de duas potentes toxinas - na farinha de milho usada na confeção da bebida tradicional 'phombe', deixando 232 pessoas sobreviventes na vila sede do distrito de Cahora Bassa.

Na ocasião, o Governo decretou três dias de luto nacional, em vésperas da tomada de posse do novo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Em julho deste ano, o governo local disse à Lusa que continuava a assistir 120 crianças órfãs com géneros alimentícios e material didático, e construído duas moradias e a concluir outras duas para albergar menores que perderam todos os progenitores.

Apesar da tragédia, milhares de moradores de Chitima continuavam, nessa altura, a produzir, vender e consumir 'phombe'.

A província de Tete tem sido ainda uma das mais atingidas pela crise político-militar entre Governo e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), somando-se aos efeitos das calamidades naturais que deixaram danos na primeira campanha agrícola.

No início do ano, quase 12 mil pessoas de Tete estavam refugiadas e em fuga do conflito no centro do país em campos de refugiados no vizinho Malaui, que reativou um centro usado na guerra civil terminada em 1992 e entretanto desativado.

A existência de refugiados no Malaui foi inicialmente negada pelas autoridades moçambicanas, tal como as alegações de abusos das Forças de Defesa e Segurança nas comunidades rurais de Tete, e que acabaram por enviar equipas ao país vizinho para tentar criar condições para o seu retorno.

A província de Tete é uma das seis que a Renamo exige governar, alegando fraude nas eleições gerais de 2014, e um dos principais assuntos da agenda das negociações de paz entre Governo e principal partido de oposição, ainda sem resultados.

A estrada nacional 7, entre as províncias de Manica e Tete, tornou-se uma dos mais atingidas por emboscadas atribuídas pelas autoridades à Renamo e parcialmente sujeita a escoltas militares obrigatórias diárias.

Além das hostilidades militares, Moçambique vive uma crise económica marcada por uma forte desvalorização do metical e expressiva subida do custo de vida, agravada por um recente escândalo de empréstimos escondidos, que fizeram disparar a dívida pública para níveis insustentáveis.

Uma das causas da dívida foi também a descida da cotação internacional dos preços das matérias-primas, incluindo o carvão, principal produto de Moatize, onde a produção se encontra quase parada, somando-se à mais recente tragédia de Tete.

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