Fiel à reputação de teimosa, a política de 62 anos sobreviveu a cada golpe que sofreu nos últimos quase três anos. "Vamos continuar a trabalhar para cumprir a promessa solene que fizémos ao povo deste país, concretizar o resultado do referendo", repetiu várias vezes a primeira-ministra referindo-se à votação de junho de 2016 em que 52% dos britânicos pediram a saída da União Europeia.

May, que fazia parte do bloco contrário ao Brexit, ao assumir o cargo voltou toda a sua determinação para fazer com que a saída se materializasse.

Depois de ver um acordo obtido com tanto esforço junto da UE ser rejeitado pelo Parlamento britânico em janeiro, Theresa May insistiu em novas negociações árduas com Bruxelas para apresentar um novo texto aos deputados.

Se os legisladores, incluindo os rebeldes do seu partido, o Partido Conservador, aprovarem o Reino Unido deixando a UE sob os termos que ela negociou, "May será considerada uma primeira-ministra que cumpriu o seu mandato com base no estoicismo e perseverança", afirma Iain Begg, professor de Ciência Política da London School of Economics.

"Mas, se fracassar, será percebida por anos a fio como a pessoa que provocou a explosão dos conservadores e arriscou o futuro do país por insistir no seu plano até os dias prévios à data fixada para o Brexit" (29 de março), acrescentou.

Sobrevivência e determinação

May chegou ao poder nas semanas caóticas após o referendo de 2016, cujo resultado levou à demissão do então primeiro-ministro conservador David Cameron, de quem foi ministra do Interior durante seis anos.

Apesar de ser eurocética, era a favor da permanência na UE, apesar de ter tido pouco envolvimento na campanha, insistindo apenas na necessidade de limitar a imigração, aquele que era o tema chave para os apoiantes do Brexit.

Apenas um ano depois de chegar a Downing Street, convocou eleições legislativas catastróficas para fortalecer a sua posição. Acabou por perder a maioria absoluta e passou a depender do apoio do pequeno partido norte-irlandês DUP para poder governar.

Desde então, que os ataques dos eurocéticos e pró-europeus do seu próprio europeu a abalaram várias vezes.

Abandonada por vários dos seus ministros, May não se desviou do caminho díficil de uma negociação que se provou mais complicada do que era esperado. A lista de 'desertores' inclui dois grandes defensores do Brexit, Dominic Raab e David Davis, e o chefe da diplomacia britânica Boris Johnson, que desde então se tornou num dos mais ferrenhos rivais da atual primeira-ministra.

No entanto, até agora, May sempre sobreviveu e seguiu adiante com seu plano.

"Não substimem Theresa May"

Theresa Brasier - nome de solteira - nasceu a 1o de outubro de 1956 em Eastbourne, cidade costeira do sudeste do país.

Depois de estudar geografia na Universidade de Oxford, onde conheceu o marido, Philip, e trabalhar por pouco tempo no Banco da Inglaterra, deu os primeiros passos na política em 1986, ano em que foi eleita conselheira do distrito londrino de Merton antes de se tornar deputada em 1997.

De 2002 a 2003, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral do Partido Conservador.

Não é por acaso que o atual ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, recentemente advertiu: "Não subestimem Theresa May". E no que toca à determinação de May ninguém se deixa enganar, muito menos os opositores. "Ela é muito diligente, trabalhadora, minuciosa. É tecnocrata, muito dura e pode ser bem teimosa", declarou à AFP o ex-democrata liberal Clegg, vice-primeiro-ministro do governo de coligação de Cameron.

"Todas essas coisas são qualidades muito boas num político do governo", reconheceu Clegg. "Mas nunca vi nela muita imaginação, flexibilidade, instinto ou visão", concluiu.

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