A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas e Outros Trabalhadores (SNMOT) e pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), na reunião de 25 de fevereiro que juntou também o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA) e a Associação Sindical dos Trabalhadores da Carris (ASPTC).

Em declarações à Lusa, Manuel Oliveira, do SNMOT, explicou que devido à divergência entre sindicatos e para se “atingir uma plataforma de entendimento entre todos” foi decidido deixar cair a forma de convocação de um plenário geral, que foi substituída pela figura do pré-aviso de greve”.

“Este pré-aviso de greve só teve de ser declarado porque a Carris não nos deixou outra hipótese, marcámos um plenário no mês passado e a empresa entendeu injustificar as faltas dos trabalhadores que compareceram no plenário”, contou, adiantando que já deu entrada uma ação em tribunal em relação a este assunto.

Ainda de acordo com o sindicalista, “para que não houvesse desmobilização de trabalhadores e para que não tivessem desculpa”, foi marcado o plenário “ao abrigo da greve, já que os outros dois sindicatos [SITRA e ASPTC] diziam não ser oportuno".

“Alterámos a figura jurídica, marcámos um plenário com a mesma amplitude, ao abrigo da greve. É por causa disto que a Carris estará em greve amanhã [terça-feira]”, salientou.

Manuel Oliveira explicou também que existirão serviços mínimos, que são “aqueles que os sindicatos entenderam por bem apresentar e os quais mereceram acolhimento pelo Tribunal Arbitral”.

Assim, irão estar ao serviço o “carro do fio", que faz "a manutenção da rede aérea dos elétricos, já que pode haver um qualquer problema visto tratar-se de uma rede que está sempre em alta tensão”, e o “carro pronto-socorro”, para a eventualidade de qualquer avaria.

“Como serviços mínimos na Carris vão estar também o serviço de transporte de cidadãos com mobilidade reduzida e os postos médicos”, acrescentou.

Em 18 de janeiro, a administração da Carris iniciou com os sindicatos representativos dos trabalhadores a negociação do Acordo de Empresa para 2022 e as atualizações salariais, altura em que as estruturas sindicais rejeitaram o aumento de 10 euros apresentado, reivindicando uma subida semelhante à do salário mínimo nacional (40 euros).

Em novo plenário, em 27 de janeiro, os trabalhadores da Carris decidiram mandatar os sindicatos, designadamente o STRUP, o SNMOT, o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA) e a Associação Sindical dos Trabalhadores da Carris (ASPTC), a integrar as negociações com a administração da empresa sobre o Acordo de Empresa para 2022 e as atualizações salariais.

Já em 18 de fevereiro, a administração da Carris apresentou aos sindicatos uma nova proposta de atualização salarial, agora de 20 euros, valor que o STRUP considera ainda “muito insuficiente”.

O STRUP defende um aumento nominal de 90 euros para todos os trabalhadores, “tendo em conta a realidade de 10 anos sem qualquer atualização salarial e a necessidade de distanciamento da evolução do salário mínimo”.

A proposta defendida pelo SNMOT é de aumentos salariais “no mesmo índice percentual que o salário mínimo nacional sofreu, ou seja, de 6,01%”, sendo que a empresa apresentou, inicialmente, uma atualização salarial de cerca 0,9%, à qual os trabalhadores já disseram que “não aceitam”.

De acordo com Manuel Oliveira, a Carris “acha que vive numa realidade muito própria, alternativa, em que as leis não se aplicam da mesma forma que às outras empresas”, estando a “processar o salário dos trabalhadores de forma errada”.

Como exemplo, o sindicalista recordou “o corte [de salários] a certos trabalhadores - motoristas e guarda-freios oriundos do tráfego -, que tiveram de ser reconvertidos, por motivo de doença, e a quem a Carris está a pagar menos hoje”, estimando que a empresa tem uma dívida para com estes trabalhadores que poderá “ascender aos sete milhões de euros”.

O SNMOT e o STRUP informaram os trabalhadores que a adesão à greve “não tem quaisquer repercussões na majoração das férias”, já que “não é considerada falta”.

A Carris está sob gestão da Câmara Municipal de Lisboa desde 2017.

O plenário geral de trabalhadores para discussão do processo negocial e respetiva evolução realiza-se em Miraflores, Oeiras, junto ao edifício da administração.

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