Numa ronda realizada pela agência Lusa aos principais operadores de transportes das cidades de Lisboa e Porto, aferiu-se que todos registaram um aumento do número de passageiros, embora ainda abaixo dos valores verificados no período pré-pandemia, e todos escusaram relacionar, para já, o aumento da procura com o aumento do preço dos combustíveis.

Há três semanas assistiu-se a um primeiro aumento do preço da gasolina e do gasóleo, que ficou perto dos dois euros por litro, tendo o Governo decidido aumentar o autovocher de 5 para os 20 euros mensais como forma de compensação.

Entretanto, os combustíveis registaram uma ligeira descida esta semana, mas como a cotação do barril de petróleo Brent, de referência na Europa, já se situa nos 121,69 dólares, é previsível um novo aumento.

Ao longo dos últimos meses, o Metropolitano de Lisboa tem verificado um crescimento gradual do número de passageiros, depois de um decréscimo acentuado diretamente relacionado com a pandemia verificada desde 2020.

De acordo com os dados fornecidos, no mês de janeiro de 2022 em comparação com o período homologo de 2021, verificou-se um aumento de 67,9%.

No mês de fevereiro de 2022, o número de passageiros cresceu 212,3% quando comparado com o mês homólogo de 2021.

Se, por outro lado, a comparação for entre janeiro e fevereiro deste ano, o Metro de Lisboa registou um aumento de 11,6% do total do número de passageiros.

Aliás, os valores comparativos dos períodos entre 01 e 15 de março de 2020, 2021 e 2022 comprovam que, apesar do aumento do número de passageiros ser na ordem dos 200% entre 2021 e 2022, encontram-se ainda abaixo dos valores verificados no período pré-pandemia.

“Neste momento, afigura-se precoce estabelecer uma relação direta entre o aumento do número de passageiros nos transportes públicos e o aumento do preço dos combustíveis. É uma situação expectável, mas que só poderá ser confirmada nos próximos meses”, disse fonte do Metro.

Já a Carris, apesar de os dados do mês de março só serem fechados em abril, os meses de janeiro e fevereiro registaram um aumento do número de passageiros, sendo espetável, segundo fonte da empresa, que o mês de março registe também algum crescimento.

Tanto, o Metro de Lisboa, como o do Porto e a Carris referiram estar a monitorizar os vários serviços, estando todas as empresas preparadas para adequar a sua oferta caso se venha a verificar níveis de maior procura.

Em resposta à Lusa, também o Metro do Porto refere que "é ainda cedo para retirar conclusões quanto ao impacto real do aumento dos combustíveis", considerando que "as avaliações relativas a períodos temporais mais longos são mais fiáveis para este tipo de análise".

Ainda assim, a empresa indicou que a média de utilizadores por dia útil em 2022 tem aumentado desde a terceira semana de fevereiro.

Nessa semana, a média de utilizadores foi de 187 mil, subindo para 194,8 mil na quarta semana do mês de fevereiro e 197,4 mil na primeira semana de março, aumentando para 204,7 mil na segunda (semana em que se deu a maior subida nos preços dos combustíveis) e para 211,8 mil na terceira semana deste mês.

Quanto à Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), em 2022 "tem vindo a registar um aumento gradual no número de passageiros diários, em modo autocarro, aos dias úteis, embora os números sejam ainda inferiores aos números pré-pandemia".

"A média de passageiros transportados aos dias úteis em 2022 na STCP é de 218 mil, até ao dia 18 de março”, assinalando ainda, em números enviados à Lusa, que em janeiro foram transportados, aos dias úteis, em média, 187 mil passageiros (77% de 2019), em fevereiro subiram para 210 mil (80% de 2019) e nas três primeiras semanas de março, até dia 18, o número subiu para 218 mil (85% de 2019), valores que em média chegam aos 205 mil passageiros (82% de 2019, cuja média foi de 255 mil passageiros).

Já nas ligações fluviais no Tejo, entre Lisboa e a denominada Margem Sul, a Transtejo Soflusa (TTSL) explicou que, entre 21 de fevereiro e 20 de março, registou um aumento de procura de cerca de 13% face ao período compreendido entre 24 de janeiro a 20 de fevereiro.

Comparativamente ao período homólogo de 2021 (22 de fevereiro a 21 de março), registou um crescimento de 120%, justificado, em larga escala, pela alteração do contexto pandémico, pela minimização/dispensa das grandes medidas de contenção social e a retoma gradual das rotinas diárias e de mobilidade dos cidadãos.

Segundo a empresa, as ligações fluviais que refletem, de forma mais evidente, essa tendência são as do Montijo, do Seixal e de Cacilhas.

Na relação 21 de fevereiro – 20 de março de 2022 versus 22 de fevereiro - 21 de março de 2021, o aumento do número de passageiros transportados é mais notório aos fins de semana, onde se verifica um incremento de mais de 26%, e, em especial na ligação fluvial do Seixal, a qual registou um crescimento de 50%.

A Transtejo assegura as ligações fluviais a Lisboa a partir de Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão, enquanto a Soflusa é responsável por ligar o Barreiro à capital.

Já a Fertagus, que assegura a ligação ferroviária sobre a Ponte 25 de Abril, referiu que na segunda e terceira semana de março registou um aumento médio de validações na ordem dos 14%.

Apesar deste aumento, os valores estão abaixo dos valores médios de validações em período de pré-pandemia em cerca de 20%.

A Fertagus explicou também que o mês de fevereiro não é um mês típico pelo período de exames nas faculdades, com o início do segundo semestre no Campus da Caparica, em 07 de março, lembrando, igualmente, que só a meio do mês de fevereiro o teletrabalho deixou de ser recomendado.

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