Em comunicado, o gabinete de comunicação da Câmara do Porto refere um ofício do TdC, datado de 8 de maio, segundo o qual o contrato com aquele consórcio “não está sujeito a fiscalização prévia”, uma vez que “não comporta despesa pública”.

Para a Câmara do Porto, “na prática” isto traduz-se “numa autorização” para que o contrato com o consórcio vencedor do concurso público lançado pela autarquia “seja assinado”, iniciando-se “o prazo [de dois anos] para a reabilitação do edifício”, que ficará concessionado durante 20 anos, com a valência de centro de congressos.

“A reabilitação do pavilhão Rosa Mota e a sua exploração já têm aval do Tribunal de Contas, último passo para a adjudicação ao Consórcio ‘Porto 100% Porto’ que ganhou o concurso público internacional”, descreve o gabinete de comunicação.

“Depois de avaliar o contrato, o TdC considerou não ser necessário visto prévio, uma vez que não existe qualquer ónus para a autarquia”, destaca a Câmara.

De acordo com a autarquia, o contrato será agora assinado pelas partes, encerrando “um longo processo concursal, que foi alvo de várias ações judiciais por parte de concorrentes”.

A Câmara recorda que, nos termos do contrato, “o concorrente obriga-se a reabilitar o Pavilhão Rosa Mota no prazo de dois anos, sem que haja qualquer construção nos jardins e sem alterar a configuração do edifício exteriormente”.

“Interiormente, o espaço será reconfigurado, passando a ter a valência de Centro de Congressos”, acrescenta.

A autarquia nota que “o consórcio pagará quatro milhões de euros à Câmara do Porto pela utilização e exploração do equipamento durante 20 anos e pagará integralmente as obras”.

De acordo com a Câmara, o Pavilhão encontra-se “bastante degradado, depois de tentativas para o concessionar por anteriores executivos, sem sucesso”.

O executivo da Câmara do Porto aprovou a 27 de dezembro a minuta do contrato de reabilitação do Pavilhão Rosa Mota com o consórcio “Porto Cem por Cento Porto”.

Numa reunião extraordinária pública, o documento foi aprovado com o voto contra da CDU, que sempre se manifestou contra a concessão, e sem a presença de Rui Loza, vereador da lista do independente Rui Moreira, que fez parte do júri do concurso para requalificar o ‘Rosa Mota’ e se ausentou da sala durante a votação.

A autarquia aprovou a 8 de novembro entregar a reabilitação do Rosa Mota ao consórcio “Porto Cem Por Cento Porto”, que numa primeira fase foi excluído do concurso mas contestou judicialmente a decisão.

No “Relatório Preliminar da Análise das Propostas” a que a Lusa teve acesso em agosto de 2015, o júri do concurso alertava que as duas propostas apresentadas tinham “divergências e omissões” relativamente ao caderno de encargos.

O júri propôs, por isso, a exclusão das duas propostas apresentadas e a não adjudicação do equipamento.

A “Porto 100% Porto” recorreu e, em março de 2015, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto condenou a empresa municipal Porto Lazer a continuar com o concurso, readmitindo a proposta, “por considerar que foi excluída ilegalmente pelo júri”.

Em julho, a Porto Lazer desistiu do recurso apresentado “pelo elevado risco de decaimento do recurso” e pela “urgência de reabilitação do pavilhão, cuja degradação é cada vez mais evidente”, revelou a autarquia.

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