O corte no número de pessoas a trabalhar no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CCD) americano emPequim ocorreu ao longo dos últimos dois anos, segundo informam os documentos aos quais a Reuters teve acesso, assim como os seus quatro entrevistados, que viveram de perto a redução da equipa.

Desde que Donald Trump subiu ao poder, em janeiro de 2017, o número de pessoas que trabalham no CCD de Pequim passou de 47 para 14. Entre as pessoas que saíram, estão epidemiologistas e outros profissionais de saúde. "O escritório do CCD, em Pequim, é uma casca do que era", diz um dos membros que lá trabalhou na altura dos cortes de pessoal.

No entanto, esta não foi a única organização na China a sofrer consequências com a presidência de Donald Trump. A Fundação Nacional da Ciência e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que tinha entre as suas responsabilidades também ajudar a China a monitorizar surtos e a responder aos mesmos, fecharam os seus escritórios na capital chinesa. A juntar a esta situação, o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, retirou da China, em 2018, o administrador responsável pelo programa de monitorização de doenças animais.

"Nós tínhamos uma grande operação de especialistas na China, que foram trazidos [para os Estados Unidos] durante esta administração, alguns meses antes do surto" de coronavírus, dizem à Reuters. "Tem de se considerar a possibilidade de que a nossa retirada possa ter feito com que esta catástrofe se tornasse mais provável ou mais difícil de responder".

A Casa Branca escusou-se de responder às perguntas feitas pela agência noticiosa, no entanto, o mesmo não aconteceu com as organizações mencionadas acima.

"O problema era a China, não o facto de não se ter pessoal na China"

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, embora não tenha respondido sobre os cortes que ocorreram na sua sede em Pequim, afirmou que as medidas relativas aos seus colaboradores não dificultaram a resposta norte-americana à Covid-19. E esta afirmação é partilhada por um antigo epidemiologista da organização, que agora é investigador e professor na Universidade Emory, em Atlanta, Georgia.

"O problema era a China, não o facto de não se ter pessoal na China", diz o investigador, que acusa a ditadura do governo chinês e o seu silenciamento face ao coronavírus de serem a principal razão para a disseminação desta pandemia.

A embaixada chinesa nos Estados Unidos não prestou qualquer declaração.

No que diz respeito à Fundação Nacional da Ciência, de acordo com o seu porta-voz, Robert Margetta, todas as sedes situadas no estrangeiro fecharam em 2018. A ideia, segundo o que disse à Reuters era "enviar equipas em expedições por curtos períodos de tempo à volta do mundo, para encontrar formas de aumentar a colaboração internacional".

Já a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional diz à Reuters que o fecho da sede em Pequim de deveu a um "decréscimo significativo de acesso aos oficiais do Governo Chinês" assim como ao facto de a agência ter concluído que o modelo de desenvolvimento chinês "não está alinhado com os valores e interesses americanos".

No domingo, a Reuters já tinha escrito um artigo sobre os cortes de pessoal que foram feitos na sede do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em Pequim. Nesse artigo alertou para o facto de o cargo de instrutor norte-americano de epidemiologistas de terreno chineses ter sido eliminado. Informou ainda que esses epidemiologistas tinham sido enviados para o epicentro da epidemia, para ajudar a rastrear, investigar e, consequentemente, conter a doença.

Trump, numa conferência de imprensa, disse que o artigo estava "100 por cento errado". No entanto, o CCD confirmou que a posição foi eliminada, uma vez que a China tem uma "excelente capacidade técnica".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, registaram-se 43 mortes, mais 10 do que na véspera (+30,3%), e 2.995 infeções confirmadas, segundo o balanço feito na quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, que identificou 633 novos casos em relação a terça-feira (+26,8%).

*com base em agências

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